08 de julho de 2026
Regional

Novo descarrilamento interdita linha

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Agudos – Um novo descarrilamento – o quarto na região de Bauru em apenas uma semana – interrompeu ontem o tráfego de três na região de Agudos (13 quilômetros de Bauru). De acordo com a América Latina Logística (ALL), concessionária que administra a malha ferroviária, por volta das 15h, seis vagões carregados com celulose saíram dos trilhos. A empresa disse que não houve feridos e nem danos ambientais.

A composição era formada por 63 vagões e seguia em direção à cidade de Santos. O Sindicato dos Ferroviários contestou as informações apresentados pela ALL e revelou que 14 vagões haviam descarrilado e nove tombado. Durante toda a tarde, funcionários da empresa trabalharam no local para retirar os vagões. A previsão da ALL era de que a via férrea estivesse liberada ao tráfego ainda na noite de ontem. A concessionária abriu uma sindicância para apurar as causas do acidente.

Apesar de informar que investe anualmente cerca de R$ 650 milhões no aumento da segurança nas operações ferroviárias sob sua concessão, os números recentes envolvendo ocorrências com composições da ALL demostram que os valores ainda são pequenos diante do estado das ferrovias e da quantidade de acidentes. Somente na última semana, foram registrados quatro descarrilamentos de vagões na região.

No primeiro deles, ocorrido no dia 12, em Bauru, três vagões carregados com celulose, além da locomotiva que puxava a composição, tombaram por volta das 15h15, na Vila São Manoel. O trem, com 45 vagões, seguia de Campo Grande para Santos. Não houve feridos e nem derramamento da carga. Contudo, o tombamento da locomotiva provocou uma fenda no tanque de combustível e cerca de 4 mil litros de óleo diesel vazaram no solo.

No mesmo dia, por volta das 23h45, um vagão carregado com gasolina descarrilou no perímetro urbano de Cafelândia (83 quilômetros de Bauru). Por sorte, ninguém se feriu e não houve vazamento de combustível. A composição seguia para Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

Na tarde do dia 17, oito vagões de uma composição com 85 vagões vazios que seguia para Três Lagoas descarrilaram no Centro de Bauru, próximo à avenida Alfredo Maia. O tráfego na via férrea ficou interrompido até o início da noite, quando os vagões foram retirados do local.

Questionada sobre o número de acidentes registrados na última semana, a ALL declarou que a conclusão das sindicâncias abertas pela empresa para investigar os motivos leva 30 dias. “Esse tempo é necessário para que se apure detalhadamente todos os aspectos que possam ter causado o acidente, como, por exemplo, uma falha mecânica, de condução, de via ou ainda casos de vandalismo”, explica.

Como exemplo, a concessionária cita sindicância instaurada para apurar as causas do tombamento de seis vagões carregados com 480 toneladas de celulose, no dia 9 de novembro, por volta das 14h, em Rubião Junior, distrito de Botucatu. O trabalho de investigação apontou que houve “flambagem de linha, ou seja, uma dilatação no trilho causado pelo forte calor”, revela a ALL.

Em entrevista recente, o coordenador-geral do Sindicato de Trabalhadores e Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, José Carlos da Silva, reclamou das precárias condições da via férrea. “Praticamente, pelo menos um trem da Malha Oeste da ALL tem descarrilado ou tombado, o que comprova nossas denúncias de precarização do material, da via permanente e das condições de trabalho”, declarou em nota a entidade ontem.

Somente na região de Bauru, a companhia conta que está investindo este ano cerca de R$ 10 milhões para a manutenção da via, com troca de dormentes e trilhos, substituição de lastros e nivelamento em todo o trecho.