Especialmente o "vereador ferroviário" Roque Ferreira. O Jornal da Cidade informa na primeira página da edição de 13/12 ["logo o 13, heim?!"] que três vagões da "ALL" carregados de celulose tombaram no dia 12 e 4 mil litros de combustível vazaram na Vila São Manoel. A foto estampada, se não estiver enganado, mostra pedaços de madeira que dão a impressão de serem dormentes podres. A reportagem apurou que "as condições dos dormentes naquele trecho eram precárias e segundo informações do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil, ao menos uma vez ao mês há registro de descarrilamentos na região de Bauru". Embora não houvesse feridos a lamentar, a informação não deixa de ser gravíssima. A "ALL" em 06/12/2011 no caderno B3 do Estadão, em "Comunicado ao Público", divulgou números fantásticos desde quando - em 2006 - assumiu o controle da Ferroban informando que "já aplicou mais de 3 milhões de dormentes e mais de 3 mil quilômetros de trilhos na administração das concessões ferroviárias da Malha Norte, Malha Paulista, Malha Oeste e Malha Sul" e reduzindo em 74% a taxa de acidentes "na região".
É de se perguntar: que região "cara pálida"? O substantivo "região" é entendido como uma grande extensão de terra, mas com certeza Bauru e região não estão incluídos no levantamento que gerou esse festival de dados divulgados pela "ALL". Realmente, papel aceita tudo...
O nobre edil Roque Ferreira, na condição de funcionário da "ALL" e segundo suas próprias declarações, continua representando o ferroviário ativo/inativo desta fantástica região, e, nessa condição, poderia muito bem trazer esclarecimentos sobre essa continuidade de descarrilamentos desde quando a "ALL" assumiu a responsabilidade de gerir sob concessão, um patrimônio público. Esse absurdo já está virando um escândalo pelo menos a nível do Estado de São Paulo. É estranho o silêncio em torno do assunto, mas não é difícil entrever as razões dele, já que esse mesmo silêncio só favorece a possibilidade da bomba que está sendo preparada para explodir, sabe-se lá quando. E a "bomba" aqui argüida nada mais é do que um vagão-tanque transportando material altamente inflamável e estando trafegando no meio de uma cidade ou muito próximo dela sofrer um descarrilamento - o que tornou-se nos últimos anos rotina mensal - e em conseqüência do evento, explodir. Quem seria responsabilizado pela desídia? É mais do que hora da indignação popular socorrer-se junto ao Ministério Público para aí, sim, efetuarem o descarrilamento adequado ao suposto escândalo, e pôr seus condutores na linha de suas responsabilidades para com o povo que os elege. Se esse tipo de alerta não diz respeito a governo, o que então dirá?
Nicanor Amaro da Silva Neto