09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Bauru é a 30ª cidade que mais contrata

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Após bater recorde na geração de emprego formal em outubro, no mês passado Bauru entrou para a lista das cidades que mais criaram oportunidades de trabalho no País. Além de ocupar a 30.ª colocação em âmbito nacional, o município aparece ainda como o terceiro, excluindo a Capital paulista, em relação às contratações em todo o Estado efetuadas em novembro.

Ao todo, 979 vagas com carteira assinada foram criadas em Bauru no mês passado. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Na lista referente à geração de novas vagas, com exceção da cidade de São Paulo, Bauru aparece atrás de Ribeirão Preto e Barueri. No ano, o saldo de vagas geradas (resultado do balanço entre admissões e demissões) na cidade soma 7.244 até novembro.

Conhecida como a cidade do comércio e da prestação de serviços, Bauru registrou no mês passado saldo de 405 vagas no setor comercial. A categoria de serviços foi a que mais demitiu e contratou funcionários, sendo 2.752 admissões contra 2.431 desligamentos, o que resultou num saldo positivo de vagas com 321 registros.

No acumulado do ano, o setor de prestação de serviços tem saldo de 6.644 postos de trabalho criados, segundo o Caged, o maior já registrado na história da cidade.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Paulo Roberto Ferrari, observa que a área de serviços é uma das que mais geram lucro para o município.

“O carro-chefe da cidade hoje é o setor de cobranças, uma das atividades que mais trazem empregos formais para Bauru e região. Temos três grandes empresas de cobranças concentradas na cidade que estão em crescimento e empregam milhares de pessoas”, afirma.

 

Natal

Segundo o economista Reinaldo Cafeo, o saldo positivo do município também está intimamente relacionado com a época de Natal. “O comércio tem nesse período um incremento no quesito contratação. A época demanda mais mão de obra e os estabelecimentos acabam contratando funcionários temporários com carteira assinada. Afinal, ninguém quer correr riscos de sofrer sanções trabalhistas a essa altura do ano. Isso tudo acaba movimentando o nível de emprego”, enfatiza.

Segundo o economista, o fato da cidade ser voltada para várias atividades, não ficando limitada à produção industrial por exemplo, acaba sendo benéfico para o desenvolvimento econômico, que se torna mais dinâmico e menos instável.

“A indústria tem um impacto numa cadeia produtiva muito maior. Quando ela é concentrada, acaba abalando o local em que está instalada, seja de maneira positiva ou negativa. Quando você não tem uma grande indústria concentrada na cidade, como por exemplo a automotiva, a escassez de empregos se pulveriza entre as outras atividades e uma crise que se instaura no Estado, no País ou no mundo, acaba não afetando diretamente os nossos negócios”, explica o economista.

Para o secretário Paulo Ferrari, a cidade registrou um bom desempenho durante todo o ano e em todos os segmentos da atividade econômica. “Uma característica importante do município é que somos um polo regional, e o consumo e investimentos de toda região acabam vindo para cá”, acrescenta.

Apesar do crescimento, em relação a outubro deste ano o saldo de novos empregos com carteira assinada teve queda, se comparado com os 1.663 novos registros. Ferrari explica que essa queda tem relação com algumas atividades consideradas instáveis pelo setor econômico.

Na lista do Caged das cidades do Interior do Estado que mais demitiram estão Barra Bonita (-1.482), Jaú (-1.244) e Dois Córregos (-1.048), na região de Bauru.

 

Construção civil fica em 3º lugar na geração de vagas em novembro

A construção civil, assim como a agropecuária, aparecem como setores mais instáveis em relação aos saldos de contratações formais em novembro, em Bauru. As atividades ligadas à construção civil apareceram como o terceiro setor que mais contratou pessoas no município, registrando 294 novas vagas em novembro.

Entretanto, se comparado ao saldo anual da categoria a atividade apresenta um número de demissões três vezes maior que o de contratações. Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Paulo Ferrari, esse fenômeno  se deve ao período auge de expansão vivido pela cidade.

“Temos hoje diversas construtoras e empresas empenhadas na construção de moradias populares em Bauru. Esse setor, apesar de apresentar uma instabilidade de contratação, é um dos que mais admitem pessoas. A maioria das empresas acaba realizando contratos por tempo determinado com seus funcionários. Depende mais da quantidade de edificações do que do tempo”, salienta.

O setor da agropecuária também registrou aumentos anuais, porém, no mês de novembro apresentou saldo negativo com 74 desligamentos contra 50 admissões. O secretário explica que essa instabilidade é resultado de um período de entressafra somado à informalidade no campo.

“Essa categoria é formada em sua maioria por trabalhadores informais que acabam se submetendo à grande jornada de trabalho em um curto espaço de tempo. E se as empresas contratam é sempre um trabalho temporário, variando de cinco a seis meses, dependendo da safra, por isso o saldo de empregos cai”, considera Ferrari.

 

Empregos no Brasil

No Brasil, cerca de 43 mil vagas com carteira assinada foram criadas no mês passado, o que representa queda de 69% em relação a novembro de 2010, quando os registros superavam 138 mil novas contratações.

As cinco cidades que mais geraram postos de trabalho em novembro de 2011 foram o Rio de Janeiro (13.335), São Paulo (10.588), Recife (6.176), Salvador (5.469) e Belo Horizonte (5.208). Essas cidades são as primeiras na lista dos 50 municípios que mais contrataram trabalhadores em todo o País em novembro, segundo os dados do Caged.