10 de julho de 2026
Articulistas

Crédito escasso e seletivo

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Os bancos no Brasil atuam de maneira conservadora. Cobram juros exorbitantes e são seletivos na concessão de crédito. De um lado isso é positivo à medida em que, nos tempos de crise como os atuais, garantem robustez ao sistema financeiro nacional, evitando maiores traumas internos. De outro lado dificultam a manutenção do nível da atividade econômica no país. Na prática, o governo federal intenciona reduzir os juros, desarmando em parte a engenharia do controle da economia via política monetária restritiva. Ocorre que entre a intenção em reduzir os juros básicos e a queda dos juros na ponta, para quem é tomador de recursos, há um longo caminho a ser trilhado.

Neste momento, por exemplo, a seletividade é mais sentida ainda. Alguns setores já sofrem no caixa a queda do nível de atividade. Isso já vem ocorrendo no setor industrial e logo logo chegará ao comércio. Mesmo com o volume de crédito concedido ter atingindo 51% do PIB, ainda estamos distantes de ter garantia de aumento da liquidez no mercado.

Só para exemplificar, em outros países semelhantes ao Brasil a concessão de crédito atinge 100% do PIB. Isso com juros baixos, adequados ao patamar de inflação sob controle. Podemos sinalizar com o crédito mais escasso e seletivo. Exigências adicionais de garantia e corte em parte de limites já estabelecidos são algumas atitudes previsíveis daqui para frente.

A expectativa é que os bancos oficiais, em que o governo é majoritário, possam fazer o papel de agentes indutores do crédito. O Banco do Brasil, por exemplo, teve este comportamento na crise de 2008 e 2009 e se deu bem. Uma coisa é certa: ao longo dos anos os juros no Brasil precisam despencar atingindo a ponta, o tomador de recursos. Como os bancos ganharão dinheiro? Aumentando o giro. Como colocado, emprestam atualmente 51% do PIB enquanto em outros países esse volume é no mínimo de 100%. O crédito é mais uma faceta dos reflexos da crise que se aproxima. Fiquemos atentos aos sinais. Sem pessimismo, mas com os pés no chão.


O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib e articulista do JC