Uma série de explosões de bombas atingiu Bagdá nesta quinta-feira, matando pelo menos 63 pessoas no primeiro grande ataque na capital iraquiana desde o início de uma crise sectária no governo, dias depois da cerimônia que marcou a retirada das últimas tropas norte-americanas do país.
Os atentados, aparentemente coordenados, foram o primeiro sinal de uma reação violenta contra a decisão do primeiro-ministro muçulmano xiita, Nuri al-Maliki, de afastar dois rivais sunitas, aumentando o risco de uma recaída no tipo de derramamento de sangue sectário que levou o Iraque à beira da guerra civil alguns anos atrás.
Pelo menos 18 pessoas foram mortas quando um homem dirigindo uma ambulância detonou o veículo perto de um prédio de uma agência do governo no bairro de Karrada em Bagdá, lançando uma nuvem de poeira e partes do carro em um jardim de infância, segundo a polícia e autoridades da área de saúde.
"Ouvimos o som de um carro passando, então o barulho dos freios do carro, e uma enorme explosão. Todas as nossas janelas e portas explodiram e fumaça negra encheu nosso apartamento", disse Maysoun Kamal, que mora em um prédio de Karrada.
Ao menos 63 pessoas foram mortas e 194 ficaram feridas em mais de dez explosões em toda a Bagdá, disseram fontes de segurança e policiais. A maioria dos bairros alvejados era muçulmano xiita.
Autoridades iraquianas rapidamente disseram que os ataques eram mensagens políticas enviadas durante a atual crise.
"O momento desses crimes e os locais onde foram perpetrados confirmam a todos... a natureza política dos alvos", disse Maliki em comunicado.