Paris - O temor com relação aos implantes de silicone produzidos por uma empresa francesa, atualmente extinta, espalhou-se para a América do Sul, a Austrália e pela Europa ontem, enquanto as autoridades francesas se preparavam para decidir se milhares de mulheres devem retirar cirurgicamente as próteses mamárias.
Os implantes de gel de silicone fabricados pela companhia chamada Poly Implant Prothese (PIP), que fechou as portas em 2010, aparentemente têm uma taxa de ruptura excepcionalmente alta e geraram uma investigação na França sobre uma possível associação com o câncer.
Cerca de 300 mil implantes PIP, que são usados em cirurgia cosmética para aumentar o tamanho das mamas ou para substituir tecido mamário, foram vendidos ao redor do mundo antes da falência da empresa no ano passado. “Não é apenas a França que está preocupada. Estamos pensando em 300 mil a 400 mil vítimas em potencial no mundo”, disse Alexandra Blachere, líder de um grupo francês de pacientes com implantes PIP.
Ela afirmou que mulheres da Itália e da Espanha entraram em contato preocupadas com seus implantes e que observou relatos de problemas no Brasil, na Venezuela e em outros países.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 25 mil próteses da PIP foram usadas no Brasil.
O implante foi alvo de um recall em 2010, inclusive no Brasil, quando foi descoberto que o silicone usado era de qualidade inferior.
A Vigilância Sanitária afirmou hoje que não recebeu nenhuma notificação de problemas decorrentes do uso do silicone da PIP.