10 de julho de 2026
Internacional

Argentina aprova controle sobre produção de papel jornal

Reuters
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O Congresso argentino, de maioria governista, aprovou nesta quinta-feira uma lei para regulamentar a produção e venda de papel a jornais, dando um novo golpe ao poderoso Grupo Clarín, o maior acionista da única empresa produtora de papel jornal do país.

O projeto, que já contava com a aprovação dos deputados, foi enviado ao Congresso no ano passado pelo governo, que está em confronto com o Clarín desde 2008, quando o conglomerado - que tem jornais, emissoras de rádio e televisão e empresas de cabo e Internet - intensificou as críticas à gestão da presidente Cristina Kirchner.

A norma, aprovada nesta quinta-feira no Senado com 41 votos favoráveis, 26 contra e uma abstenção, declara a produção deste tipo de papel como um interesse nacional e ordena a Papel Prensa - empresa que o jornal La Nación e o Estado também têm participação acionária - a operar sua capacidade máxima para cobrir as necessidades do país.

A oposição e os jornais La Nación e Clarín consideram que a norma é um ataque à liberdade de imprensa e consideram como uma tentativa de expropriar a propriedade privada, enquanto que o governo argumenta que a lei ajudará a garantir a liberdade de expressão, já que atualmente nem todos os jornais têm o mesmo acesso ao papel.

O governo alega que as novas normas garantem que o papel estará disponível para todos os jornais a um preço justo, rompendo o monopólio que favoreceu os interesses do Clarín e do La Nación.

Para os críticos da norma, os jornais, se quisessem, poderiam recorrer ao papel importado, muitas vezes mais barato que o produzido localmente.