Damasco - Dois carros-bomba explodiram ontem em Damasco perto de prédios do temido aparato de segurança do governo. Pelo menos 40 pessoas morreram e 55 ficaram feridas, a maioria civis, segundo a agência de notícias estatal da Síria, Sana.
Foi o primeiro atentado suicida no país desde o início da revolta contra o regime do ditador Bashar Assad, em março, e a ação mais violenta na Capital desde então.
Pouco após as explosões, em meio a imagens de corpos dilacerados, a TV estatal afirmou que "investigações preliminares" apontavam a rede terrorista Al-Qaeda como autora do ataque.
Ao contrário do vizinho Iraque, explosões como essas na Síria são raras, embora o grupo fundamentalista islâmico fosse um crítico do regime laico da Síria.
Para o governo, os ataques confirmam sua frequente acusação de que grupos armados e terroristas financiados por outros países estão por trás da insurgência contra Assad, e não pacíficos ativistas pró-democracia, como afirma a oposição. "Dissemos desde o começo, isso é terrorismo", disse Faisal Mekdad, vice-ministro do Exterior. "Eles estão matando militares e civis".
Membros da missão de observadores da Liga Árabe, que havia chegado ao país na véspera como parte de um acordo assinado com Damasco para pôr fim à repressão do regime, foram levados ao local das explosões.
O atentado conclui uma das semanas mais sangrentas desde o início da revolta. Ativistas estimam que os mortos na repressão chegaram a 200 nos últimos dias, entre eles dezenas de militares que ousaram desertar.
Na mesma semana, centenas de milhares de pessoas foram a uma manifestação pró-regime em Damasco.
As explosões ocorreram pouco antes de manifestações convocadas pela oposição para protestar contra o acordo de Assad com a Liga Árabe que permitiu a entrada da delegação.
Para os oposicionistas, uma série de fatores levam à suspeita de que o próprio regime tramou as explosões para fortalecer as alegações de que a revolta contra Assad é um plano terrorista.
O fato de os ataques terem ocorrido numa área de extrema segurança da capital é um deles. A pressa em acusar a Al Qaeda, mesmo sem uma investigação aprofundada, é outro.
Omar Idilbi, do Conselho Nacional Sírio, uma aliança de grupos opositores, disse que as explosões ocorreram numa área da Capital em que é muito difícil entrar de carro sem ser revistado.
Para ele, a chegada da Liga Árabe pode ter sido o momento escolhido. "É uma tentativa de convencer a Liga Árabe e a opinião pública internacional de que a Síria está sendo vítima de terrorismo", disse ele.
O governo americano, que defende a saída de Assad, condenou a violência e exortou os observadores a cumprir sua missão.