08 de julho de 2026
Geral

Geração Z: 50% podem passar os 100

Luiz Beltramim
| Tempo de leitura: 5 min

Vivemos mais tempo, envelhecemos melhor e mais lentamente. Essa é a conclusão a que o neurocientista italiano Edoardo Boncinelli considera o processo natural e inevitável a todo ser humano.

Em sua mais recente obra, o livro "Carta a um menino que viverá 100 anos" (editora Guarda-Chuva/144 páginas/preço sugerido R$ 33), que acaba de ser traduzida para o português, além dos avanços médicos e genéticos que permitem a todos um envelhecimento mais "brando", os mais novos de hoje têm uma vantagem ainda maior para esticar a vida até além da casa dos três dígitos.

Para o neurocientista, que é colunista do jornal "Corriere della Sera", a chamada "Geração Z", que designa os nascidos a partir da segunda metade dos anos 1990, têm ainda maiores probabilidades de um dia colocar três velinhas em cima do bolo de aniversário.

"A sociedade está mudando e a ciência, a técnica e a medicina continuam a dar passos de gigante, com efeitos impensáveis sobre nossas existências (...) Você, que fez sua estreia na vida um dia desses, tem uma chance em duas de viver mais de 100 anos", crava, num dos capítulos.

Apesar de concordar com a lei universal humana, e de todos os demais seres vivos, de que a degeneração, é possível, acredita o pesquisador italiano, "atrasar" o processo e amenizar os efeitos provocados pelo passar do tempo. "Vai acontecer com você também, que ainda é tão pequeno", continua o neurocientista, na carta imaginária a uma criança da Geração Z.

Porém, as três últimas décadas, observa o estudioso, foram sem igual em toda história tanto quanto às pesquisas sobre como amenizar os efeitos da idade no corpo e na mente, mas também entender as razões pelas quais envelhecemos.

Basicamente, diz o autor, envelhecemos simplesmente porque tudo o que acontece após o período reprodutivo, observa o neurocientista, simplesmente "não interessaria" mais à natureza.

"A natureza não nos condena a envelhecer. Ela simplesmente nos deixa envelhecer", pondera, situando a chamada idade reprodutiva entre os 15 e 30 anos.

O segredo para driblar essa máxima, cita o estudioso, é carregado pela genética.

A maior chance de longevidade aos mais jovens, observa ele, se dá pela mutação - e respectiva evolução - de genes, bem como os avanços médicos, que permitem a um portador de doença hereditária ter uma vida muito melhor do que alguém, na mesma situação, 50 anos atrás.

"Cinquenta anos atrás, um diagnóstico de doença hereditária equivalia a uma condenação à morte, ou, no melhor dos casos, a uma vida de sofrimentos", compara.


Ilusão da juventude

Prolongar a vida de forma saudável, entretanto, não deve ser confundido com exageros para manter a estética.

Não faz sentido, alertam médicos, querer manter a cútis da juventude se, por dentro, os reflexos são perigosos, ainda mais quando não há comprovação sobre a eficácia de terapias "da moda". "É tudo uma mentira", condena a médica Sílvia Pereira, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).

Em entrevista ao JC, a especialista decreta: histórias sobre milionários, principalmente artistas que ?rejuvenescem? por meio da aplicação de compostos à base de hormônios ou mistura de vitaminas ainda não passam de lendas. "Não há base científica. Essa coisa de repor hormônios, fazer vitaminas. É tudo mentiroso, não há comprovação científica", reprova. "Vitaminas ou reposição de hormônios só devem ser feitos quando há déficit. Não para prevenir velhice", diferencia. "Envelhecer é um privilégio, mas com saúde", enfatiza. "Não adianta pensar em ficar bonito do lado com o fígado, ou rins todos prejudicados. Vai morrer fazendo diálise", acentua. "Tem gente que gasta horrores num tratamento sem comprovação e ainda se intoxica", detalha.

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Resiliência dos idosos está maior, diz médico


Esse crescimento na população chamada "superlongeva", ou seja, de pessoas que têm mais de 80 anos, é observado também em Bauru.

Considerados raros até pouco tempo, os "superidosos" na cidade, de acordo com mais recente levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são mais de 6,6 mil. Contingente que praticamente dobrou em Bauru na última década.

Para o médico geriatra e reumatologista Júlio Rodrigues Horta, que confirma o aumento da população superidosa, esse cenário resulta numa característica mais resiliente - com maior capacidade em enfrentar as dificuldades. "Como reagir às adversidades é um grande diferencial", analisa.

Ele atribui a maior longevidade conforme o passar das gerações a três fatores principais, não necessariamente entrelaçados, ressalva o especialista. "Fatores hereditários, algo que não ocorre com todos, meio ambiente e histórico de vida da pessoa", enumera.

Contribuições genéticas, principalmente os desejados, questio estéticos, segundo o médico, são praticamente inócuos. "Estamos muito longe da influência da genética (medicina) para a longevidade", salienta.

O fundamental, recomenda o médico, é o investimento na velhice durante a juventude. "Não ser sedentário, ter cuidado sobre fatores de risco, controlar a hipertensão. Tudo isso faz diferença. Quanto à estética, o que há de se fazer é se proteger do sol, alimentar-se bem e cirurgia plástica, comedidamente", atesta.

De acordo com Júlio Horta, o principal sinal de terceira idade saudável é terceira idade independente, mesmo com o surgimento de problemas de saúde, que, conforme o geriatra, são inevitáveis, quaisquer que sejam.

"Ser saudável é ser independente", considera. "Hoje é muito difícil achar alguém com mais de 80 anos que não tenha algum tipo de doença. No entanto, atualmente, os problemas são muito mais controláveis. O mais importante é que o idoso siga dois conceitos: autonomia e autossuficiência", receita.