09 de julho de 2026
Ser

Projeto mais recente de Philippe Starck escapa de definição imediata


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"Não nascemos hoje e tivemos grandes predecessores." Beirando o senso comum, seriam frases que por si só não produziriam maiores efeitos se pronunciadas por qualquer outro designer do planeta. Mas não em se tratando de Philippe Starck: personalidade, sabidamente, pouco afeita a grandes arroubos de modéstia, para quem a simples menção de uma coautoria em determinado projeto é motivo de permanente curiosidade mundial.

Dona de um espaldar amplo, em quase descompasso com suas pernas finas, a cadeira Masters, seu mais recente projeto para a italiana Kartell, escapa de uma definição imediata. Um olhar mais atento, porém, revela grandes surpresas. A ponto de justificar, inclusive, um Good Design Award 2010, prêmio concedido pelo Chicago Athenaeum Museum of Architecture and Design, além de elogiosos editoriais na mídia.

"A Masters é minha homenagem a três grandes obras-primas: a Série 7, de Arne Jacobsen, a Tulipa, de Eero Saarinen, e a Eiffel Chair, de Charles Eames", afirma Starck, que, em seu melhor estilo, assume ter lançado mão de três desenhos do passado para criar um produto que é reflexo de nosso tempo.

"Com seu espaldar que reproduz os contornos das célebres poltronas, a sinuosidade da Masters é tão inconfundível quanto a dos móveis criados por Jacobsen, Eames e Saarinen", exalta o presidente da Kartell, Claudio Luti, satisfeito diante da performance do mais novo ícone da empresa, que, em seus primeiros meses de vida - ela foi lançada no Salão de Milão, em abril deste ano -, já conta com cerca de 80 mil unidades comercializadas em todo o mundo.

"E não se trata apenas da exclusividade de seu desenho", pontua Luti, que destaca o acabamento especial que confere à poltrona um toque sensual, delicadamente aveludado, sem falar na facilidade de transporte e de armazenamento, para justificar o bom desempenho no mercado. É sentar para crer.