São Paulo - O número de latrocínios (roubos seguidos de morte) no Estado de São Paulo subiu 15,6% nos primeiros 11 meses de 2011, em comparação com o mesmo período do ano passado - de janeiro a novembro de 2010 foram 231 casos e, em 2011, 267. O número já é maior do que todo o acumulado de 2010, que teve um total de 253 latrocínios.
Os dados oficiais da violência do Estado foram divulgados ontem pela Secretaria da Segurança Pública (SSP). A secretaria não divulgou os números de latrocínios de novembro de 2010 e por isso não é possível comparar os dados por mês.
O latrocínio não foi o único crime com alta em 2011. Furtos, roubos, furtos de veículos e roubos de veículos também subiram na comparação com 2010.
Roubo de veículos foi o crime que mais aumentou - subiu 19,5% na comparação de novembro de 2010 para novembro de 2011. Em 2010, novembro teve 5.973 casos. Em 2011 foram 7.139. No acumulado dos 11 primeiros meses do ano, o aumento foi de 14,6% -passou de 63.138 para 72.383.
Os furtos de veículos tiveram leve aumento na comparação entre novembro de 2010 com novembro de 2011 - 0,4%: com um aumento de 34 casos. No acumulado do ano, a alta foi de 4,4%, com 4.137 casos a mais.
Os roubos em geral (exceto os de veículos) tiveram aumento de 1,2% em novembro e de 1,3% no acumulado do ano. Já os furtos em geral (exceto os de veículos) tiveram aumento significativo. Na comparação de novembro de 2010 com novembro de 2011 o número de casos subiu 8%. No acumulado dos primeiros 11 meses de cada ano o aumento foi de 7,5%.
O número de homicídios foi um dos únicos que caiu no período. Em novembro de 2010 foram 376 casos e, em novembro de 2011, 354 - uma queda de 5,9%. A queda no número de casos acontece após uma alta de 4,5% ocorrida em outubro, quando foram registrados 367 casos, 16 a mais do que no mesmo mês de 2010.
Na comparação entre os períodos de janeiro a novembro, a queda no número de homicídios foi de 4% - foram 3.945 em 2010 e 3.789 em 2011.
Estatísticas
A Secretaria da Segurança Pública passou a divulgar, em abril deste ano, as estatísticas criminais mensalmente e por distrito policial - antes, eram divulgados apenas por cidades, de três em três meses.
A mudança de orientação ocorreu após reportagem mostrar que o sociólogo Túlio Kahn, que foi por muitos anos responsável pela coordenação das estatísticas criminais, mantinha uma empresa que comercializava estudos com base nelas.
Publicamente, Kahn defendia o sigilo do mapa da violência por distritos, sob o argumento de que, se tornados públicos, os dados poderiam desvalorizar imóveis em regiões específicas. Kahn afirma que jamais violou o sigilo dos dados criminais, mas foi afastado de suas funções pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).