Proprietários de carros flex que costumam calcular qual combustível é mais vantajoso na hora de abastecer sabem que 2011 não foi o ano do etanol. Em falta no mercado, o álcool hidratado sofreu disparada de preços neste ano, em Bauru, e tornou-se menos econômico em relação à gasolina.
Como consequência, as vendas do produto caíram, o que deve se repetir em 2012, segundo avaliação de especialistas. E, mesmo que o produto comece a sobrar nas bombas, os custos não devem ser reduzidos consideravelmente, como nos patamares verificados no ano passado.
Segundo dados do Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom), o volume de etanol comercializado em 2011 deve ser 28,4% menor em relação a 2010, quando os números já haviam recuado 11,3%. Em contrapartida, no mesmo período a gasolina avançou 18%, totalizando 35,3 bilhões de litros comercializados no país. Em 2010, o crescimento já havia sido de 15,9%.
A previsão do Sindicom é de que as vendas totais de combustíveis cresçam 2,8% em 2011, número inferior aos 9,5% registrados no ano passado. O motivo apontado pelo sindicato é a desaceleração da economia.
José Antônio Reghine, Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru, projeta que a tendência de redução de consumo de álcool se mantenha ao longo de todo o próximo ano. "A safra vai começar tarde novamente, a quantidade de cana plantada não será suficiente para atender toda a demanda e os valores não vão baixar. Como consequência, o consumidor continuará optando pela gasolina", analisa.
Atualmente, o consumidor paga R$ 1,89 pelo litro do etanol e, já no início de 2012, o custo poderá subir para até R$ 2,00. Embora o preço em Bauru esteja abaixo da média nacional ? de R$ 1,99 ? as chances de que caia para menos de R$ 1,50 são remotas, mesmo com o início da nova safra.
"Este seria um valor interessante para o consumidor, o que levaria a uma reversão do que ocorreu neste ano. Mas aquele preço de R$ 1,00 que foi cobrado no ano passado nunca mais será visto", adianta o empresário Edivaldo Tuschi.
Viabilidade
Além da dificuldade para suprir a demanda crescente devido a expansão do número de veículos bicombustíveis, ele menciona o encarecimento dos insumos e das terras arrendadas para a plantação de cana-de-açúcar como motivos para a elevação de preços. "Para o produtor, não adianta manter as lavouras se não for para ter lucro. A cada litro produzido pelas usinas, cerca de R$ 0,70 é só de custo com matéria-prima. Não é algo atrativo para o setor", pondera.
O fato de os usineiros terem predileção por produzir açúcar, destinado ao mercado internacional a valores mais atrativos, também é um agravante para a produção de etanol no país. Segundo Tuschi, para ser economicamente viável para toda a cadeia produtiva, o litro do álcool não poderia custar menos que R$ 1,80 ao consumidor final. "Acredito a estabilização neste preço só ocorra dentro de dois ou três anos", afirma.
Em decorrência dos valores atuais, cerca de 65% dos consumidores tem optado por abastecer com gasolina nos postos da cidade, segundo o empresário. Com a maior demanda pelo combustível fóssil, a tendência é de que o custo do produto também se eleve nas próximas semanas.
"O que pode segurar esta alta é o governo voltar a aumentar a porcentagem de álcool anidro adicionado à gasolina, de 20% para 25%. E já existe uma pressão das usinas para isso", observa.
Gasolina
O aumento da demanda por gasolina deve forçar o governo a importar um maior volume do combustível para abastecer o mercado interno. Embora o custo do produto estrangeiro seja maior em relação ao que é fabricado nacionalmente, o consumidor não deverá sentir o impacto desta diferença com tanta intensidade.
Isso porque, desde outubro, o governo anunciou duas reduções sucessivas no valor da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).
Desde então, o imposto cobrado às refinarias pela Petrobras por litro de gasolina foi reduzido de R$ 0,23 para R$ 0,09, valor que irá vigorar até junho do ano que vem. A ideia é que o desconto chegue até o consumidor final para evitar a alta desenfreada de preços com a conseqüente pressão sobre o índice geral de inflação.
Diesel
O consumo de óleo diesel, que geralmente reflete o movimento da economia, deve subir 4,6% em 2011, pelas estimativas do Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom), com a comercialização de 51,5 bilhões de litros.
Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru, José Antônio Reghine, não há previsão para que os postos de combustíveis da cidade se adequem para a venda do diesel menos poluente S50, que em breve começará a ser distribuído no país. "Ainda não existe consumo para este combustível, porque as montadoras ainda não estão produzindo veículos com motor apropriado. O investimento para os donos de postos é alto para um retorno que não virá no curto prazo", argumenta.
A expectativa é que o S50 seja de R$ 0,06 a R$ 0,08 mais caro que o S500 - diesel com 500 partes de enxofre por milhão de particulados, vendido hoje no país, que custa R$ 1,20 nas refinarias, sem os impostos.
Faça as contas
Para concluir qual é a melhor alternativa, o consumidor deve dividir o preço do litro do álcool pelo preço da gasolina. Se o resultado for maior que 0,7, deve optar pelo segundo combustível. Se for inferior, é melhor ficar com o etanol. Em Bauru, o valor deste cálculo está atualmente em 0,703, garantindo leve vantagem para quem encher o tanque com gasolina.