Caracas - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, especulou ontem que os Estados Unidos podem ter desenvolvido uma forma de desenvolver tumores em líderes políticos latino-americanos, depois de a argentina Cristina Fernández de Kirchner entrar para a lista de presidentes vitimados pela doença.
Numa das suas típicas declarações polêmicas, o líder socialista - que passa por tratamento contra um câncer de tipo não revelado - salientou que não estava fazendo acusações, apenas “pensando alto”.
Além de Chávez e Cristina, outros três políticos da América Latina receberam diagnósticos de câncer nos últimos anos: Fernando Lugo, presidente do Paraguai, Dilma Rousseff, presidente do Brasil, e o antecessor dela, Luiz Inácio Lula da Silva.
Chávez recomendou cuidado aos outros líderes regionais, inclusive seu incondicional aliado Evo Morales, da Bolívia. “Vamos cuidar bem do Evo. Toma cuidado, Evo!”, afirmou.
O presidente venezuelano, um ex-militar de 57 anos, é a principal voz antiamericana da América Latina, e faz frequentes ataques ao que chama de “Império Ianque”.
Fácil de tratar e raramente mata
Buenos Aires - Enfrentar o câncer nunca é um passeio, mas as chances de Cristina Kirchner vencer a doença que afeta sua tireoide são elevadas, a julgar pelas informações divulgadas pelo governo argentino.
A presidente tem um carcinoma papilífero, tipo mais comum (corresponde a 90% dos casos) e menos agressivo de tumor na tireoide. “O prognóstico é um dos mais favoráveis”, resume Luiz Paulo Kowalski, diretor do Núcleo de Cirurgia de Câncer de Cabeça e Pescoço do Hospital A.C. Camargo (SP).
“Em tumores pequenos, sem metástase (espalhamento para outros órgãos), a chance de cura é de 98% a 99%”, afirma Kowalski.
O tratamento, segundo ele, envolve principalmente a remoção cirúrgica da área afetada - em geral, a tireoide inteira é retirada.
A cirurgia pode ser complementada com a ingestão de uma forma radioativa do elemento químico iodo, usada para destruir eventuais “sobras” do tecido canceroso no organismo do paciente. O emprego de remédios quimioterápicos não é comum nesse tipo de câncer.
Após o tratamento, o paciente precisará repor o hormônio que deixou de ser produzido pela tireoide.
Segundo Kowalski, a incidência dos tumores de tireoide tem crescido no mundo inteiro, inclusive no Brasil. A doença afeta mais mulheres do que homens e, normalmente, acomete adultas jovens, que ainda não chegaram à menopausa.
Por causa da baixa agressividade desse tipo de tumor, há discussões sobre se seria mais adequado apenas monitorar sua presença por algum tempo antes de partir para o tratamento.