09 de julho de 2026
Articulistas

Brasil - 6ª economia mundial: mas e a qualidade de vida?

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

O noticiário econômico se ocupou nesses últimos dias em avaliar a projeção de que o Brasil fechará 2011 como a sexta economia do mundo. Segundo o Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro neste ano será maior do que o PIB do Reino Unido. Desta maneira, o Brasil subirá uma posição no ranking mundial em geração de riqueza. O Brasil ficará atrás, pela ordem, dos Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França. O PIB é importante indicador, mas devemos ter muito cuidado ao analisá-lo. A avaliação fria, sem entender sua real dimensão, é temerária.

É preciso incrementar a análise. Primeiramente avaliar o PIB per capita (por pessoa). Ao contabilizar o volume da riqueza produzida no território nacional, se não houver um olhar sobre o número de habitantes envolvidos, a avaliação pode ser superficial. Evidentemente que o PIB per capita também é um parâmetro questionável, à medida que é uma média por pessoa, entretanto, ele reposiciona o padrão de renda da população. Por exemplo, enquanto o Reino Unido ocupa a vigésima posição com um PIB per capita anual na ordem de US$ 32 mil, o Brasil ocupa a posição 70, com pouco mais de US$ 13 mil.

Além deste indicador, que aponta uma diferença aproximada de US$ 20 mil entre os dois países, é preciso analisar a qualidade de vida. Indicadores como educação, saúde, saneamento básico, infraestrutura, mortalidade infantil, e tantos outros, são precários no Brasil. Mesmo considerando o péssimo momento por que passa a Europa, e em particular o Reino Unido, há uma enorme distância enorme entre o bem estar da população brasileira e dos europeus.

Claro que não queremos comparar países milenares, com o "jovem" Brasil, mas fica evidente que comemorar exageradamente a mudança de patamar no desempenho econômico mundial não é o melhor caminho. Isso tudo sem falar que a diferença no desempenho do PIB é muito pequena e qualquer deslize na condução da economia brasileira, ou pequena melhora na economia do Reino Unido, haverá mudança no posicionamento atual.

Então, não vamos dar importância a esta conquista? A resposta é: claro que sim. Esta subida de posição do PIB brasileiro tem o seu significado, mas é fundamental que "baixemos a bola" e tenhamos a humildade em reconhecer que há um longo caminho a ser trilhado, fato admitido pelo próprio ministro Mantega ao projetar que o Brasil levará cerca de 20 anos para obter um padrão de vida semelhante ao do europeu médio. Em resumo: se o desenvolvimento econômico, que é sinônimo de qualidade de vida, tem como precondição o crescimento da economia, o primeiro passo foi dado. Sem ufanismos e euforia exagerada, façamos a lição de casa, canalizando esforços e recursos na melhoria dos indicadores sociais. Aí sim a comemoração será completa.


O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib e articulista do JC