08 de julho de 2026
Articulistas

Mudar? Mudar...

Munir Zalaf
| Tempo de leitura: 4 min

Neste momento, em algum lugar deste mundo, alguém está dizendo: "Puxa, como o tempo passa depressa. Até parece que foi ontem..." Perguntei-me: é o tempo que passa ou nós que passamos? Os ponteiros medidores das horas e os calendários são invenções dos homens. "Ano Novo, vida velha. A vida é mais do que calendários, fusos ou orbita gravitacional" (Carlos Heitor Cony ? 1926 - Escritor, jornalista, membro da Academia Brasileira de Letras). Não é difícil viver. Sorrir com as alegrias e os verdes, e se resignar com as contrariedades superando-as. Olhar a vida do jeitinho que se olha para a pessoa amada. O inerme diz: "Falar é fácil". O Homem volta o olhar em direção às nuvens e sorri confiante.

O mundo está mudando. 2011 para 2012. Em breve estará para 2013. Assim como já foi, continuará. Aliás, em todos os anos, as mesmas comemorações. Festas, fogos de artifícios querendo ofuscar as estrelas. Peru, champanhe, vinho, cerveja e cachaça. Mesas fartas e panelas vazias sempre em número maior. A contagem regressiva, 10... 9... 8... 7 até a explosão final na expectativa do Ano Novo. Outra vez me perguntando î ºE nós, mudamos? Aprendemos a separar e dividir a vida? O bem do mal, a generosidade do egoísmo, o orgulho pela humildade e tanta valores que nos faltam? Jogamos fora a covardia e o personalismo? Enfrentamos o chamado tempo com dignidade? As promessas feitas no ano que passou foram cumpridas? Largamos os vícios de fumar, das drogas, de trair o lar e amigos, de jogar, de enganar o próximo, de contrair dívidas por compulsão, outras fraquezas e idiotices?

O ano 2012 começa no domingo. Missas, cultos, hinos religiosos, centros espiritualistas e outras crenças com suas memórias e tradições. Meditar. Melhor sem promessas esperando receber respostas do céu. O maná. Pés no chão. Sonhar sim, porém devaneios atingíveis. Conquistáveis. Viver com a paz na consciência. Honestamente. Não transferir para Deus nossos anseios. Não atribuir-Lhe os nossos medos. Deus nos concede o livre-arbítrio. O extraordinário poder da escolha. Será que alguma vez na vida medimos o tamanho e a força desse nosso domínio? As opções são da inteligência e da espiritualidade. Não é fácil. Somos apenas pessoas. Corpo. Ambição. Exclusivismo. A decisão entre o certo e o errado. O céu e o inferno estão sob nossas determinações. Pelejar pelo decoro. Meu pai me dizia: "Filho, se desejar alguma coisa alcançável, física ou espiritual, lute com entusiasmo que você pode alcançar. Nunca desista. Com a sua fé e desempenho conquistará o troféu, e com ele nas mãos, os braços erguidos, dará a volta do campeão pelos campos do mundo que construiu". Nós podemos! Qualquer um pode! Somos comandantes das nossas idéias conduzidas pelo espírito do bom senso e da fraternidade. Ao passarmos pelo tempo vamos escalando degraus nos levando para o nosso infinito. Somos sem fim. Os mundos invisíveis estão esperando conforme o merecimento de cada um. No sono até o despertar na Casa Nova. Céus e trevas. Anjos e o demo. Idas e vindas. Convicções. Vamos, então, enfrentar percalços que poderão acontecer em 2012. Se aparecer uma pedra muito pesada no caminho, chamar irmãos para ajudar. Nada de orgulho! Ninguém nasceu pra viver sozinho. Somos "o próximo". Uns dos outros. Cada um precisa de cada um. Isto se chama fraternidade. A vida é apenas um frágil suspiro à espera de novos ares. Para alcançá-los e merecê-los, dependemos do saber nas nossas escolhas. Árvores estão pelas avenidas da existência. Às pessoas competem as escolhas dos frutos. Distinguir os doces dos acres. Geralmente os amargos são os mais bonitos e enganadores. Cuidados para não nos iludirmos pela beleza e o brilho dos frutos tentadores.

Somos o que somos e não o que pensamos ou desejamos ser. Reconhecermo-nos sem julgar o próximo. Ele é ele e nós somos, cada um, dono da alma e dirigente da própria vida. Do futuro. Das passagens. Que o espírito prevaleça na conduta, nas alternativas que nos são proporcionadas. A vida é uma dádiva. Até quem não acredita em Deus a ama e a respeita. Que é preciso, ao prevalecer da inteligência, mudar procedimentos, buscar outros caminhos aos nossos olhos para as escolhas. Chorar quando a dúvida é mais forte. Faz bem. Lágrimas são chuvas d?alma a purificar o entendimento. Agora, em algum lugar deste planeta, à porta do ano 2012, alguém está dizendo: "Puxa! O tempo voa! Passa tão depressa que a gente nem sente..." Mudar é preciso antes que nos mudemos da Terra...


O autor, Munir Zalaf, é poeta e escritor