08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Hipocrisia


| Tempo de leitura: 3 min


Há algumas semanas venho acompanhando um caso de grande repercussão na mídia nacional, onde uma enfermeira de 22 anos foi filmada por um vizinho agredindo o seu pequeno cãozinho da raça yorkshire até a morte. Depois da divulgação do vídeo pelo youtube, a mulher passou a ser investigada pela Polícia Civil. No vídeo, a mulher chuta o cão e o arremessa contra a parede algumas vezes, depois usa um balde para tapar o corpo do pobre animalzinho já morto. Ah! esqueci de relatar que tudo isso ocorreu na frente da filha desta "senhora", a garota que, segundo relatos, tem em torno de três anos.

Mas não era sobre isso que gostaria de falar, e sim um fato que ocorreu com a minha cadela de 3 anos chamada Tabata, uma vira-latas de grande porte muito dócil e carinhosa, mas que não pode ver qualquer outro animalzinho passeando pelo quintal que já quer aniquilá-lo, como qualquer outro animal de instinto predador faria por sua natureza. Nessas "caçadas" sorrateiras pelo quintal já foram ratos, pardais, lagartos, gambás, etc. Mas no domingo 17 último, o adversário era um tanto quanto indigesto, um ouriço-cacheiro ou porco espinho. O ataque fez com que ela ficasse com seu focinho cheio de espinhos, vimos o ocorrido, prendemos o animalzinho em uma gaiola e fomos providenciar um ajuda para ambos.

A primeira tentativa foi com os Bombeiros, imaginamos que poderiam ajudar o ouriço. O atendente pediu que pegássemos o bichinho e soltássemos no mato mais próximo e que os espinhos deveriam ser cortados próximos da pele que cairia com o tempo. Tá, nem demos atenção pra essa "ajuda". Começamos a ligar para todos os veterinários que achávamos na lista telefônica, já que o nosso de costume não atendia o telefone, mas sem sucesso.

Até que alguém atendeu, disse que poderia cuidar sim da Tabata, mas que somente a consulta custaria em torno de R$ 150,00. Tudo bem, era domingo, e de madrugada, solicitou retorno dentro de meia hora, retornamos o valor já havia subido, agora eram R$ 300,00. Volto a dizer, somente a consulta, fora o procedimento, achamos ridículo, e decidimos tentar outro, até que uma clínica da zona sul da cidade atendeu, já era de manha, R$ 500,00 pela consulta fora o procedimento. Amamos nossos cães, mas somos de família humilde, não dispúnhamos dessas quantias, voltamos à peregrinação pelas paginas amarelas.

Já estava na hora do almoço e ainda não havíamos conseguido, até que consegui contato com uma veterinária, que prontamente nos atendeu e por um preço justo.

Chegou, cuidou da Tabata, retirando os espinhos, brincou com as outras duas, a Rebeca (dachshund x pinsher) e a Luana (blue hiller), deu conselhos, foi superatenciosa e mostrou ser uma pessoa que faz o seu trabalho com amor e carinho.

Relatei tudo isso pra pensar se ficamos tão comovidos com o caso do pequeno yorkshire, porque as pessoas que mais deveriam preocupar-se com o bem-estar dos animais, pois fizeram juramento por isso, atendem você com desprezo, não te dão a mínima atenção, cobram valores exorbitantes e perguntam se terá o dinheiro pra fazer o pagamento, prometem ir e não vão, não atendem por ser longe (moro a 3 km do centro da cidade de Bauru), ou por ser sábado, domingo ou fora de horário.

Fica aqui um desabafo de quem adora os animais e ainda ama as pessoas.


Marta Sueli Lopes, 50 anos, cuidadora