11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Ipea prevê aumento nos investimentos públicos em 2012

Agência Brasil
| Tempo de leitura: 2 min

Um dia após o Banco Central anunciar a economia de R$ 8,2 bilhões nos gastos públicos de janeiro a novembro deste ano (superávit primário do setor público consolidado), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) prevê retomada dos investimentos em capital fixo pelo governo federal, estados e municípios em obras como escolas, hospitais, estradas e hidrelétricas.

A expectativa do Ipea é que em 2012 haja uma retomada dos investimentos públicos observados entre 2004 e 2010, quando a taxa de crescimento anual foi 14% (descontada a inflação), atingindo 4,2% do Produto Interno Bruto (PIB). “O próprio governo federal tem manifestado reiteradamente a intenção de preservar dos contingenciamentos orçamentários os investimentos considerados prioritários”, regista o comunicado do Ipea se referindo ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Para o coordenador de Finanças Públicas do Ipea, Cláudio Hamilton dos Santos, o investimento público pode ter favorecido a expansão da economia. “A imensa maioria dos economistas concorda que o investimento público é benéfico para o crescimento econômico”, disse ao ressaltar que o fenômeno ocorre, entre outros motivos, “porque há diversos setores de atividades e bens que o Estado prover melhor do que o mercado”.

Ao comparar os períodos de 1995-2003 e 2004-2010, ele pondera que não é possível estabelecer clara causalidade entre o aumento de gastos e o incremento do PIB. “O investimento público aumentou em um período que o PIB cresceu muito mais do que anos anteriores. A causalidade não é clara. Você não sabe se o PIB aumentou porque o investimento aumentou, ou se o aumento do PIB possibilitou o aumento do investimento público”.

O Ipea também avaliou que há sazonalidade de investimentos públicos nos três níveis da Federação. Nos anos de eleição (pares), os gastos dos governos federal, estaduais e municipais são mais expansivos; e nos anos não eleitorais há orientação para o contingenciamento (como ocorre em 2011). “Os governantes têm forte incentivo a mostrar resultados em anos eleitorais. Isso gera pressão por gastos um pouco acima do normal”, admitiu o coordenador de Finanças Públicas do instituto.

Cláudio Hamilton dos Santos aponta, no entanto, que a sazonalidade não tem apenas razões eleitorais. “Acho importante separar. Tem uma parte do ciclo político que é legítima. A administração que está entrando tem que elaborar o seu plano plurianual, tem que decidir as suas prioridades. A partir daí define quais sãos suas decisões de investimento”, disse.