O Departamento de Água e Esgoto (DAE) deixou de priorizar, nos últimos anos, investimentos em abastecimento de água, preferindo alocar recursos na instalação de redes de esgoto no município.
Mas a estratégia não significa que a autarquia tenha deixado de contar com recursos para manutenção e recuperação da frota ou ampliação da capacidade de reservação e produção de água. De fato, os recursos previstos para estas áreas continuaram existindo.
O que aconteceu a partir de abril de 2005 é que o município passou a cobrar mais da população, criando o fundo de esgoto e, com ele, a cobrança adicional de 40 pontos percentuais na conta de consumo de água do bauruense para aplicar em tratamento de esgoto (verba carimbada).
Mas o DAE concentrou esforço em interceptores e deixou de lado a ampliação do abastecimento, aprofundando a escassez que já era sentida nas torneiras. Os problemas com má gestão se repetiram e a autarquia não cumpriu metas de investimentos na área de água.
Em reportagem recente do JC, o DAE reconheceu que são necessários, de pronto, sete poços para restabelecer o patamar. Mas o que não falta é o dinheiro reclamado. Além de acumular sucessivos superávits orçamentários (em 2010 foram mais de R$ 4 milhões acima do previsto), o DAE vai receber pelo próximos 20 anos cerca de R$ 800 mil a mais no caixa, resultados da lei que permitiu o encontro de dívidas entre o DAE e a Prefeitura de Bauru, aprovado neste final de ano.
Mas, além disso, a autarquia já tem garantido mais R$ 12 milhões na lei orçamentária de 2012, conforme aprovado pela Câmara. Todavia, o novo presidente do DAE, Fábio Lara, terá de escolher entre aplicar o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) ? elaborado ao patamar de pelo menos mais R$ 7 milhões de aumento de despesa em folha ao ano ? ou investir em abastecimento e recuperação estrutural.