08 de julho de 2026
Política

Árvores caem e Semma não explica

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

Três árvores sibipirunas, de grande porte, foram suprimidas com a autorização (sic) da Secretaria municipal do Meio Ambiente (Semma), na quadra 8 da rua Manoel Bento Cruz, em Bauru. O fato foi comentado com pesar pelo advogado Ivan Garcia Goffi, na Tribuna do Leitor da edição de ontem do Jornal da Cidade. No entanto, a própria diretora do Departamento Zoobotânico, Alessandra Pinezi, não soube explicar o porquê da liberação ontem.

O curioso é que, no primeiro momento, quando questionada sobre o caso, Pinezi afirmou que a derrubada das árvores não havia sido autorizada pela secretaria e que o proprietário do imóvel seria multado por conta disso. Alguns minutos depois, ela retornou o contato com a reportagem para dizer que a supressão das sibipirunas havia sim recebido o aval da pasta. Ainda assim, a situação merece apuração, já que a diretora diz que na primeira avaliação do fiscal a secretaria rejeitou o corte.

Alessandra justificou a existência de dois processos sobre o mesmo caso. O primeiro, de fato, proibia a derrubada das três árvores. O segundo, porém, autorizava a medida. A diretora afirmou que os proprietários de imóveis podem requisitar a supressão de árvores por duas vezes, mas não soube explicar o que motivou a divergência entre os laudos, sendo um de setembro e outro de novembro de 2011.

Cada uma das avaliações foi feita por um técnico diferente da Semma, procedimento que é praxe, segundo Pinezi. O que indeferiu o pedido de supressão é de autoria de Anderson Lucindo, que não trabalha mais na secretaria, após ter pedido exoneração do cargo no poder público. Esta avaliação autorizou apenas a poda de limpeza nas árvores. O segundo laudo foi de Luiz Fernando Nogueira.

Pela falta de informações da Semma, que se comprometeu a explicar as supressões na próxima segunda-feira, - já que os servidores públicos municipais não trabalham hoje -, não é possível dizer se as árvores tinham ou não condições de permanecerem na quadra 8 da Manoel Bento Cruz. O grande porte das sibipirunas pode, de fato, causas alguns transtornos, além de ser desconhecido o estado de saúde das árvores.

No entanto, chamou atenção do atento leitor o fato de já parecer existir a reserva de guias rebaixadas para estacionamento recuado na frente do imóvel onde estavam as árvores. Segundo vizinhos, uma clínica funcionará no local. Alessandra Pinezi, porém, garantiu que a legislação proíbe a supressão de árvores nessas situações, pois os novos imóveis precisam se adequar à arborização urbana. Mas as sibipirunas não estão mais lá para "contar a história".

Alerta

Na Tribuna do Leitor, Ivan Garcia Goffi chama os funcionários da Semma de ?técnicos em motosserra? e diz que a pasta não protege as árvores antigas, a partir de uma falsa ideia de que qualquer uma com mais de 30 anos está doente. O advogado chama ainda a responsabilidade para o prefeito ? e ambientalista ? Rodrigo Agostinho (PMDB).

O leitor cita ainda a derrubada de uma grande árvore localizada no canteiro central da avenida Nações Unidas, em frente à rodoviária. "Fazia a única sombra para quem aguardava pela travessia", pontuou.

Mas, neste caso, a diretora do Departamento Zoobotânico, Alessandra Pinezi, explicou que a árvore citada pelo advogado era uma leucina, espécie exótica que gera transtornos urbanos e ainda impede o desenvolvimento de outras. No lugar, foram plantadas mudas de palmeiras.

Pineze rebateu os argumentos de Goffi e diz que a Semma trabalha diariamente para a manutenção das árvores existentes e o plantio de novas. "Chegam muitos pedidos de supressão. Se autorizássemos todos, a cidade ficaria sem árvores porque, apesar das substituições exigidas, elas demoram para crescer", ponderou.

61 substituições

Apesar do argumento de Alessandra Pinezi, 61 dos 95 pedidos de substituições de árvores foram autorizadas pela Semma só no mês de novembro. A diretora garante, porém, que todas obedeceram critérios técnicos e não tinham mais condições de ser mantidas, apesar de não ter conseguido explicar a supressão das sibipirunas da Manoel Bento Cruz.

Pinezi diz ainda que, no local onde as árvores são removidas, novas mudas devem ser plantados em um prazo de até 15 dias. Caso isso não aconteça, os proprietários são multados em apenas R$ 126,00.

A autuação por retirada irregular de árvores também é pequena em relação ao impacto ambiental e urbano que pode causar. O valor é de R$ 500,00. Alessandra afirma que a legislação municipal que define esses pontos está sendo revista pela Semma.

Procura por mudas gratuitas é pequenas

O Programa de Arborização Urbana da Semma, desenvolvido desde março de 2011, não vingou. Foram adquiridas 10 mil mudas de árvores que podem ser entregues gratuitamente para bauruenses que queiram plantá-las na frente de seus imóveis. No entanto, apenas 4.180 foram plantadas até agora.

Segundo Alessandra Pinezi, a maior parte das mudas foi plantada em áreas públicas e de recuperação ambiental, pois é muito baixa a procura de munícipe por elas. Escolas, distritais, as margens da ciclovia do Distrito Industrial I e as avenidas Nuno de Assis e Cruzeiro do Sul foram os locais que mais receberam as novas mudas.

Segundo Pinezi, a escolha da muda a ser planta nas calçadas leva em consideração não só o tamanho da árvore quando adulta, mas também a questão paisagística e a Semma orienta os interessados nesse sentido.

Os munícipes que quiserem plantar uma muda de árvore em frente ao seu imóvel, com manutenção a ser realizada pela empresa contratada durante 02 anos, podem ligar na Semma, pelo telefone 3235 1037.

"A arborização urbana é indispensável para uma cidade saudável e nosso objetivo é mostrar ao proprietário do imóvel os benefícios da arborização, como a redução de calor, diminuição de enchentes, da poluição atmosférica e sonora," enfatiza o titular da Semma, Valcirlei Silva.