11 de julho de 2026
Articulistas

Hospital de Base, vamos abraçar mais esta causa

Telma Gobbi
| Tempo de leitura: 3 min

Infelizmente em nosso país tudo vira pizza, às vezes calabresa, com muita briga e às vezes à moda brasileira, com muita paz e amor e, desta maneira, fatos importantes para a sociedade ficam sem a real apuração e isto vem acontecendo cada vez mais. Tudo isso é uma vergonha e, pior ainda, é a perda de prazo da Justiça (prescrição) para julgar os indivíduos envolvidos nos crimes, obviamente os que não interessam ser esclarecidos, pois muita sujeira iria aparecer e quem sabe algumas cabeças de bacalhau seriam vistas. Difícil, mas quem sabe?

Não podemos deixar de citar os julgamentos à moda brasileira, quando o fato interessa à sociedade, mas não interessa a determinados setores dominantes e estes habilmente usam suas influências para prover a morosidade do julgamento e ou dificultam a apuração das questões em pauta. Infelizmente, na maioria das vezes o que acontece é que os grandes peixes, os verdadeiros articuladores dos deslizes, continuam sem mostrar as cabeças e o tempo, senhor de todas as situações, promove o esquecimento e a impunidade. Exemplo fático e atual está na declaração dada ao jornal Folha de São Paulo pelo ministro Ricardo Lewandowiski, revisor do processo do Mensalão, que tramita com 38 réus no Supremo Tribunal Federal (STF), ao dizer: "Dificilmente o processo do Mensalão (o escândalo de 2005) estará concluído em 2012, a prescrição é de se esperar".

A prescrição apaga o processo e as denúncias e ninguém é responsabilizado criminalmente perante a sociedade. É inaceitável que, no devido tempo, não se julgue um processo criminal absolvendo ou condenando os infratores. Isto tem que ser corrigido e olha a maioria destes processos têm foro privilegiado no próprio STF, o que significa, em tese, processamentos mais céleres. Heráclito de Éfeso, pensador pré-socrático, já previa como o ser humano iria se comportar frente aos descasos e as desfeitas a lhes serem impostas. Dizia: "O torpor da multidão ou a polimatia dos supostos sábios é a unidade fundamental de todas as coisas. Essa é a natureza que gosta de se ocultar".

Bauru ficará ao torpor da polimatia e sucumbirá ao descaso dos supostos sábios no episódio do Hospital de Base sem os esclarecimentos devidos dos fatos que envolvem a dívida da Associação Hospitalar de Bauru e a má gestão que ocorreu. A inauguração de um novo hospital, casa nova, vida nova, apaga os fatos graves ocorridos? A má gestão será corrigida com uma nova entidade? O subfinanciamento da saúde vai continuar? A extinção da Associação Hospitalar acaba com a responsabilidade dos maus gestores?

Quem são os maus gestores e como serão responsabilizados? Nossa população pagou e paga pelo atendimento, pagou e paga para ter saúde e se houve ou há má gestão e se houve ou há sub financiamento da saúde esperamos esclarecimentos e com os devidos responsáveis apontados e colocados no local adequado, onde os infratores da lei devem ficar. Quem for dirigir esta entidade, a Associação Hospitalar, a Fundação de Botucatu ou quem quer que seja, deverá receber a instituição sem dívidas, ter compromisso com os servidores da instituição, receber o financiamento justo para o pagamento dos serviços assistenciais prestados a comunidade e sem corruptos. Só assim e com uma boa gestão nosso hospital sobreviverá. Hospital de Base - toda a sociedade deve abraçar esta causa.


A autora, Telma Gobbi, é médica