As forças sírias de segurança abriram fogo contra manifestantes nesta sexta-feira, matando pelo menos 12 deles, enquanto cinco membros das forças de segurança foram mortos em um confronto na cidade de Homs, segundo ativistas da oposição.
Centenas de milhares de pessoas voltaram às ruas no país inteiro para exigir a renúncia do presidente Bashar al-Assad, que recentemente aceitou um plano de paz da Liga Árabe que prevê a desmilitarização das cidades, a libertação de presos políticos e o estabelecimento de um diálogo com a oposição.
Monitores estrangeiros estão no país desde segunda-feira para fiscalizar a implementação do acordo, mas a presença deles foi recebida com ceticismo pela oposição e intensificou os protestos, ao invés de acalmá-los.
Decididos a exibir a força do seu movimento aos monitores, os manifestantes nesta sexta-feira atiraram pedras nas forças governistas em Douma, um subúrbio de Damasco, enquanto os soldados usaram gás lacrimogêneo contra a multidão.
Cinco pessoas foram mortas a tiros na cidade de Hama, e outras cinco em Deraa, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, grupo oposicionista com sede em Londres.
"Estamos determinados a mostrar (aos monitores) que existimos. O importante não é se há ou não um banho de sangue", disse o ativista Abu Khaled por telefone de Idlib, no norte do país.
A imprensa estrangeira foi expulsa da Síria, o que dificulta a confirmação de relatos feitos por ativistas e pelo governo.
Um simpatizante da oposição, chamado Manhal, disse que milhares de pessoas tentaram chegar à praça principal para ocupá-la, mas desistiram porque "as forças de segurança estão atirando muito gás lacrimogêneo e algumas salvas de munição real".
Ele disse que sente uma "proteção parcial" por causa da presença da delegação árabe. "Não acredito que usem munição real contra nós na frente dos monitores."
Um vídeo amador feito em Idlib mostrou os monitores de boné branco e jalecos amarelos em meio a um mar de manifestantes -alguns dos quais abordavam os monitores tentando lhes gritar algumas palavras, enquanto milhares de pessoas entoavam o refrão: "O povo quer libertar o país!".
Nas manifestações, algumas pessoas levavam cartazes com os nomes de pessoas mortas em protestos. "Não vamos esquecer seu sangue derramado", diziam os cartazes.
Vídeos feitos em Hama mostraram manifestantes fugindo das ruas principais em meio a um forte tiroteio. Num trecho, alguns homens recuam, agachados em meio ao fogo cruzado, para recolher um companheiro caído na rua.
Em Douma, manifestantes retiraram um homem cuja perna havia sido estilhaçada por algo que eles disseram serem "bombas de pregos".