Os quenianos Paul Tergat e Alice Timbilili já têm os seus nomes cravados na história da São Silvestre. Como a prova ganhou um novo percurso este ano, em sua 87ª edição, ninguém conseguirá bater a marca dos dois atletas, detentores atuais do recorde de tempo da competição. De acordo com a organização, "agora passará a contar um novo tempo, por causa da mudança de trajeto". Recorde novo, mesmo, só a partir de 2012, quando se repetirá o percurso.
Tergat - vencedor em 1995, 1996, 1998, 1999 e 2000 - já completou a prova em 43 minutos e 12 segundos há 16 anos, marca nunca mais atingida por alguém. Já Timbilili completou os 15km no ano passado com 50m19s.
Após 30 anos, a São Silvestre não terá mais a sua chegada na avenida Paulista. A alta concentração de pessoas que já vão ao local para a festa de Réveillon fez com que a organização mudasse o trajeto, agora com o seu final em frente ao Obelisco, no Parque do Ibirapuera.
O novo trajeto promete ser mais rápido, de acordo com especialistas.
A prova tem horário marcado para começar às 17h10 (feminina) e às 17h30 (masculina), na avenida Paulista, e contará com mais de 25 mil atletas, recorde da competição.
E no novo percurso os corredores brasileiros terão uma motivação extra. Caso um deles consiga vencer a tradicional prova, que fecha o calendário de competições esportivas do ano, o País vai igualar o Quênia como maior vencedor da história da fase internacional da corrida, iniciada em 1945.
Os atletas quenianos já triunfaram 12 vezes na versão masculina da São Silvestre, que começará às 17h30, uma a mais do que os brasileiros. Campeão da prova em 2003, 2005 e 2010, Marílson Gomes do Santos é a maior esperança do atletismo do País para igualar a marca do Quênia.
"O Quênia tem corredores de ponta e são favoritos em todas as corridas pelo mundo. Dessa vez não será diferente. Chegar próximos deles e até vencer é um motivo de orgulho para os brasileiros, que sempre rivalizam de igual para igual com os africanos", disse Marílson.
Damião Ancelmo espera uma disputa acirrada com os atletas africanos, mas aposta no fator casa para que algum atleta brasileiro triunfe. "Os africanos corem muito e espero fazer valer o fator casa para ultrapassar na reta final. A descida deve transformar a corrida em uma prova rápida", comentou Damião.
O queniano Martin Lel, que já venceu três vezes a Maratona de Londres, é o principal favorito entre os 21 estrangeiros que vão competir na São Silvestre. Para ele, correr no País pode ajudar os brasileiros. "O Brasil evoluiu tecnicamente e, mesmo com nossa equipe completa, é difícil de derrotar os corredores quando competem em casa", disse.
Além de Lel, os outros quenianos que vão tentar manter a supremacia do país na prova masculina da São Silvestre são Duncan Kibet, Mathew Kisorio, Barnabas Kiplagat Kosgei e Mark Korir. Já Tariku Bekele tentará faturar o terceiro títulos para a Etiópia.
Mulheres
Na versão feminina da São Silvestre, o domínio do Quênia é maior, com oito vitórias, contra sete das portuguesas e cinco das brasileiras. Lucélia Peres, que foi a última atleta do País a vencer a prova, em 2006, admite o favoritismo das quenianas. "Hoje a vantagem é das quenianas, mas é notória a aproximação das brasileiras, que rivalizam cada vez mais com as africanas", disse Lucélia Peres.
Eunice Kirwa, Prisca Jeptoo e Nancy Kiprop são as quenianas que vão competir hoje na prova, com largada prevista para as 17h10. Além delas, a África também tem outras favoritas, como a etíope Yime Wude Ayalew, campeã da São Silvestre de 2008, e a marroquina Samira Raif.
Cruz Nonata, que ficou em quarto lugar na São Silvestre de 2010, admitiu que será difícil para ela, Lucélia Peres e Adriana Aparecida da Silva, medalha de ouro na maratona do Pan de Guadalajara, superarem as africanas. "A prova é bem rápida e as brasileiras precisam aumentar a passada para não deixar as favoritas escaparem. Será um sonho vencer a São Silvestre e vou fazer de tudo para fechar o ano em grande estilo", disse.
Bauruenses representam cidade na prova
Vários atletas amadores e profissionais de Bauru devem largar da avenida Paulista hoje na prova mais tradicional do atletismo brasileiro. Unidos por grupos de academias, patrocinados por empresas locais ou até mesmo por conta própria, dezenas de cidadãos levarão o nome da cidade na prova que encerra o ano esportivo brasileiro.
"É um momento importante, muito especial. Todos que participam não se arrependem e sempre estão querendo voltar. É preciso preparo e treino, mas o que mais garante o complemento da prova é a dedicação de cada atleta", comenta o Cabo Alcides Gonçalves, que coordena alguns projetos de atletismo pela Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) do município. Ele só não participará da disputa deste ano por estar cuidando da saúde. "Esse ano vou ficar apenas na torcida", conta.
Um dos bauruenses que deve representar a cidade é Alberto Ramos. Aos 59 anos ele chega na disputa credenciado por conquistas locais em sua categoria. Recentemente disputou a Corrida Cross Country no Clube de Campo do Bauru Tênis Clube (BTC) onde sagrou-se campeão entre os veteranos (58 a 62 anos). "Completei os cinco quilômetros em pouco mais de 22 minutos", conta o atleta que se diz ansioso para a disputa da São Silvestre. "Tenho que agradecer a todos que me apoiaram e me patrocinaram para que pudesse realizar mais uma corrida".
A maioria dos atletas de Bauru, por serem amadores, integrarão o pelotão popular que tem largada prevista para as 17h30, junto com o pelotão de Elite masculino. Antes, às 15h, largam os cadeirantes. Em seguida, às 15h10, os atletas com deficiência. Só às 17h10 largam as atletas da Elite feminina categorias A e B.