A estreia do Noroeste no Campeonato Paulista de 2011 - empate em 2 a 2 contra o Santo André - já anunciava o que seria do clube no restante da temporada. Aliás, os quatro primeiros jogos do Alvirrubro no início da temporada escancararam o que seria comprovado na sequência de um ano de frustrações para o torcedor: a Maquininha empacou e empatou os quatro primeiros jogos do Paulistão. Ironicamente, um dos melhores e raros momentos de vibração da equipe veio na terceira rodada, quando o Norusca empatou com o Corinthians de Ronaldo e Roberto Carlos em pleno Pacaembu.
Na quinta rodada veio o pior: goleada diante de Americana e queda do primeiro treinador.
Luciano Dias não suportou a pressão e deixou o clube. Em seu lugar, jorge Saran assumiu interinamente enquanto a diretoria trabalhava para acertar contrato com Lori Sandri. Apesar de um certo respiro, o time não garantiu a redenção. Em mais uma goleada, desta vez por 4 a 0 para o Oeste de Itápolis fora de casa, mais um comandante foi descartado. Sai Lori e entra, novamente, Jorge Saran.
O técnico que chegou para comandar o time na Copa São Paulo de Futebol Junior e trabalhava nas categorias de base foi o que mais se deu bem no Paulistão. O problema é que nem Saran podia mais salvar o Norusca que precisava, em três jogos, duas vitórias, sendo que dos três últimos confrontos, dois deles seriam longe de Bauru e, entre eles, o adversário seria o São Paulo de Rogério Ceni, Lucas e companhia.
Apesar de vencer a Lusa no Canindé (2 a 0), o time amargou derrotas para São Paulo (4 a 1) e Ituano (2 a 0) e o rebaixamento levou o clube de volta à Segundona
Turbulências
Com a queda para a Segunda Divisão, o que restava ao Norusca era a Copa Paulista. A disputa do torneio serviu mesmo para colocar em campo os garotos treinados e formados por Saran. Alguns deles vestiram o manto noroestino na Copa São Paulo deste ano.
Depois da campanha mediana, Saran foi dispensado. Se isso já era esperado, sua dispensa despertou uma série de polêmicas na diretoria. Primeiro, Beto Souza, gerente de futebol e braço direito de Damião Garcia, anunciou que deixaria o clube. Imediatamente foi cogitado que a Kalunga poderia não renovar o contrato de patrocínio e que, pior, Damião Garcia, o homem responsável por recolocar o clube dentre os grandes do Estado, poderia abandonar de vez o Alvirrubro.
A situação era tão conflitante que até João Bidú, vice-presidente, entregou o cargo.
Mas bastou Damião garantir que ficaria e bancar Beto Souza na gerência para o astrólogo voltar atrás e a diretoria se recompôr.
Novo (velho) comando
Beto Souza voltou e com ele já anunciou o nome do novo técnico para a disputa da A2. Souza ficou menos de um mês "afastado" do clube e retornou trazendo o experiente Amauri Knevitz. Ele que comandou o time na A2 de 2010 volta para tentar levar o Norusca de volta à 1ª Divisão.
O comandante hoje trabalha com um elenco formado por remanescentes da Copa Paulista, como o atacante Daniel Grando, que renovou contrato na última semana, e outros jogadores que ele mesmo indicou à diretoria.
"Após as festas (Natal e Réveillon) vamos começar a fazer mais treinos coletivos. Nesse primeiro momento trabalhamos a parte física para preparar o elenco", comenta o técnico.
Em sua segunda passagem pelo clube, Knevitz terá o mesmo desafio de quando chegou. Dessa vez, mais experiente e conhecendo melhor clube e cidade, o fracasso não é opção. "Temos que ter consciência que a Série A2 é uma disputa complicada, mas vamos montar nosso trabalho e fazer um bom campeonato". A intenção, como não poderia ser diferente, é recolocar o Noroeste entre os grandes times de São Paulo. "Quero completar o serviço que começamos", brincou o treinador em entrevista ao JC.