No comando da festa
Se no Natal reunir-se com a família é tradição, na passagem do ano a festa é entre amigos. E para começar o ano com muita animação, nada melhor que uma boa balada de Réveillon.
Em Bauru, o Santa Madalena é uma das casas noturnas que realizam a tradicional festa de virada do ano. E para garantir o sucesso do evento, a casa conta com uma estratégia: a disposição e empolgação dos Dj’s Thiago Ornelas e Evandro Altimari, que não se importam de iniciar o ano novo trabalhando.
A noite de Thiago e Evandro começou ontem por volta de 23h, quando a pista de dança foi aberta, e seguiria até às 5h da manhã de hoje, quando os últimos baladeiros de plantão costumam deixar o Santa Madalena.
Em mais de seis horas de festa, Thiago e Evandro programaram tocar todos os estilos de música e relembrar singles que marcaram 2011.
“O Réveillon é sempre uma noite muito divertida para se trabalhar. As pessoas estão felizes e animadas, o que torna o trabalho de um Dj muito empolgante. É festa o tempo todo”, explica Thiago, que aproveita a presença dos amigos em seu local de trabalho para se divertir e dar boas vindas a 2012.
“Eu me divirto muito. Adoro trabalhar aqui.
Cuidando da segurança
O ano de 2012 já começou de uma forma diferente para o tenente Adriano Aguiar. É que pela primeira vez ele foi escalado para fazer o policiamento dos bairros de Bauru entre as últimas horas de 2011 e as primeiras horas do novo ano.
Há quase sete anos na Polícia Militar (PM), Adriano só havia trabalhado nesta época quando se preparava para atuar na profissão, contudo, não ficou surpreso em ser escalado para a ocasião.
“Eu já estava preparado. Meu pai e meu tio são PMs e me recordo de ter passado muitas viradas de ano longe deles por estarem trabalhando. Quando escolhi ser PM já sabia que isso podia acontecer”, afirma.
O trabalho estava previsto para começar por volta das 18h de ontem e seguir até às 7h de hoje. A primeira etapa foi dividir as patrulhas de policiamento preventivo, para que cada equipe pudesse atuar em determinada área.
“O pico do evento é sempre à meia-noite, horário em que precisamos estar mais atentos. Nos anos anteriores, segundo relatos de colegas de trabalho, foi bem tranquilo e com poucas ocorrências. Espero que neste ano seja igual”, desejava Adriano, na tarde da última terça-feira, quando concedeu entrevista à equipe do JC nos Bairros.
Sempre atento e vigilante
De olhos bem abertos. É assim que Eldo Cristiano Teodoro, assistente operacional de uma empresa de segurança vai passar o primeiro dia do ano.
É que ele foi escalado para trabalhar hoje e seu serviço consiste em coordenar os vigias que também estão de plantão, além de garantir a segurança do prédio sede da empresa.
“É um trabalho bem complicado. As empresas que terceirizam o serviço de vigia precisam ser atendidas, mas sabe como é... alguns exageram na ceia e acabam faltando no dia seguinte, complicando minha parte do trabalho”, explica ele, que já prevê que hoje terá serviço extra.
Mas essa não é a primeira vez que Eldo Cristiano passa o primeiro dia do ano longe da família. Ele começou a trabalhar de porteiro em 1999, passou a ser vigilante em 2002 e assumiu o atual cargo em 2006.
“Já passei muitos feriados e datas importantes trabalhando. Quando eu trabalhava com vigia em uma universidade daqui de Bauru, costumava combinar com outros colegas de cada um levar um alimento para fazermos um almoço bacana, nunca passava em branco”, lembra.
Quem não se acostumou ainda é a família de Eldo Cristiano, que sempre reclama quando ele é escalado para datas como a de hoje.
“Eles reclamam, mas fazer o quê? É meu trabalho. Além disso, eu sempre passo o Natal com eles. É uma troca justa”, justifica.
Garantindo uma boa estadia
Logo que entrou na faculdade para cursar hotelaria e turismo, Mirian de Andrade Miranda teve uma lição da qual jamais vai se esquecer: nesta profissão, as pessoas trabalham enquanto as outras se divertem.
O aviso em tom de brincadeira dado pelos professores do curso tornou-se realidade tão logo Mirian ingressou no mercado de trabalho. Atualmente contratada como recepcionista bilíngue pelo Hotel Howard Johnson, ela não se assusta em ter de deixar de lado qualquer plano para dias como hoje.
“É uma exigência da profissão. Os hotéis precisam de pessoas preparadas para atender os hóspedes durante todo o ano, incluindo o primeiro dia dele”, afirma Mirian.
Ela trabalha diariamente das 7h às 15h20 e folga somente uma vez por semana. No Natal, por exemplo, seus pais tiveram de viajar de uma cidade no interior do Paraná para Bauru para ver a filha nas horas de folga que ela teve.
“É um sacrifício. Claro que eu gostaria de folgar nessas datas, mas é a profissão que escolhi e eu amo o que faço”, pondera.
Preparado para emergências
Desde 1977, quando se formou no curso de medicina, as comemorações de datas como o Natal e Ano Novo do médico Plínio Caiado de Castro Neto nunca mais foram as mesmas. Isso porque, geralmente, em datas como estas, Plínio deixa o dever e a paixão pela profissão falar mais alto e assume com prazer os plantões no Pronto Atendimento.
“Eu sempre soube que a medicina exige sacrifícios como esses, mas não me importo. Para mim, a medicina é bem mais que uma profissão, é uma grande curtição”, explica ele, que faz clínica médica na Beneficência Portuguesa de Bauru.
E a possibilidade de lidar com o imprevisto é uma das coisas que mais atraem Plínio Neto, que, por isso, procura sempre se manter em dia com as novidades da medicina.
“Trabalhar em pronto-socorro exige conhecimento para tomada de decisões. Exige o melhor de cada médico. Um erro pode ser fatal. Eu encaro isso como um desafio. No primeiro dia do ano, por exemplo, eu preciso estar preparado para atender tanto uma pessoa que exagerou na bebida quanto alguém que sofreu acidente grave”, exemplifica.
Mas ao contrário do que muita gente pensa, nos últimos anos, o volume de trabalho de Plínio Neto no primeiro dia do ano tem sido menor, bem como os casos de alcoolismo e os acidentes, o que permite que os funcionários de plantão nesse dia organizem até mesmo uma ceia para comemorar a passagem do ano.
“Cada um leva uma coisa e fazemos nossa própria ceia. Neste momento somos todos amigos, não tem diferença entre médicos, enfermeiros, técnicos...”, explica.
Já a família de Plínio Neto, mesmo após tantos anos de profissão, ainda não se acostumou com a ausência do patriarca nas festas de fim de ano.
“Eles sempre reclamam... Mas tenho cinco filhos, tive de trabalhar muito para criar todos”, justifica, em tom de brincadeira.
Motorista da rodada
Para passar a virada do ano em locais como o Parque Vitória Régia, onde seria realizada a festa da virada, e a avenida Getúlio Vargas, que sempre concentra um grande número de pessoas, bauruenses de diversos bairros da cidade dependeram do transporte coletivo circular.
No total, quatro ônibus estavam previsto para circular das 23h20 de ontem até às 6h50 de hoje para atender quem comemorava a chegada de 2012 com muita festa.
Napoleão Segundo Ferreira foi um dos motoristas escalados pela empresa para trabalhar na virada do ano e garantir a mobilidade dos bauruenses que dependem do transporte coletivo. Para isso, ele teve de abrir mão de festejar com a família.
“Há 15 anos eu trabalho como motorista e, pelas minhas contas, esse é o décimo ano que passo a virada do ano dirigindo. No início é estranho, mas com o tempo acostuma”, conta.
De acordo com ele, o movimento no primeiro dia do ano é bem menor que o de costume, e a maioria dos passageiros são jovens.
“É interessante porque são pessoas animadas, que estão em festa, então elas acabam contagiando até mesmo eu, que estou trabalhando. Além disso, como saio bem cedo do trabalho, tenho tempo de passar a maior parte do dia primeiro junto da família”, pondera.