09 de julho de 2026
Geral

Expedição resgata pan-americanismo

Luiz Beltramim
| Tempo de leitura: 2 min

Doutrina cujo principal objetivo é transcender os ensejos políticos, por meio da solidariedade entre as nações das três Américas, o pan-americanismo voltou à pauta oficial de diversas nações, após décadas "adormecido".

Quase que naturalmente, o sentimento ? utópico para muitos, com seu maior ícone no libertador Simon Bolívar, um dos principais libertadores da América hispânica do domínio ibérico ? aflorou novamente mediante a iniciativa de uma família bauruense, que acaba de concluir a primeira etapa de uma ousada aventura.

Eles cruzaram, de carro, toda a América, de extremo a extremo. O principal objetivo da família Braga (o casal Beto e Márcia, ao lado dos filhos Caio e Renato) é difundir e fazer justiça a um feito de três brasileiros que, em 1928, também dirigiram pelo continente de ponta a ponta, para abrir (numa época em que pontes, túneis ou mesmo asfalto eram ficção) as primeiras trilhas do que hoje é a Carretera Panamericana.

A estrada, que hoje é realidade, é a principal artéria rodoviária em vários países entre a Argentina e os Estados Unidos. Apesar de idealizada em 1925, apenas saiu do papel três anos mais tarde.

Graças ao desprendimento e valentia dos brasileiros Leônidas Borges de Oliveira, Francisco Lopes da Cruz e Mário Fava, que, a bordo de um Ford modelo "T", ou "Ford Bigode" (como é carinhosamente chamado pelos amantes do automobilismo) a estrada, mesmo segmentada e de receber diferentes denominações por onde passa, inclusive no Brasil, é pilar econômico e social em diversas regiões do continente.

A ideia dos Braga, ao percorrerem mais de 70 mil quilômetros pelas três Américas (já foram rodados mais de 50 mil) é difundir, entre organizações oficiais, reconhecidas pelos governos, o feito brasileiro através do continente e fazer jus, mesmo que mais de oito décadas depois, a façanha dos três expedicionários brasileiros.

Indignado pelo desconhecimento, principalmente no Brasil, em torno da iniciativa do trio de desbravadores, o empresário José Roberto Faraco Braga, o "Beto", líder da expedição familiar, pouco antes de colocar o pé na estrada lançou o livro "O Brasil Através das Três Américas" (Canal 6 Editora)", em que detalha a saga de 1928, embasado em documentos históricos e raros.

E é essa forte argumentação, com fotografias e relatos de um dos próprios viajantes, o mecânico Fava (morto em 2000). Nascido em Bariri, o desbravador foi entrevistado pelo próprio autor, que concluiu a obra após 10 anos de minuciosa pesquisa.