09 de julho de 2026
Geral

Família Braga se prepara para 2ª etapa

Luiz Beltramim
| Tempo de leitura: 5 min

Mal apresentaram os primeiros reflexos da expedição rodoviária pelas três Américas durante os poucos dias que passaram em Bauru para as festas de final de ano, os Braga se preparam novamente para cair na estrada. Com saída prevista para janeiro, eles percorrerão o trecho "sul" da Carretera Panamericana e ramais pelo Brasil, Uruguai, Argentina e Chile.

Pela frente, projeta Beto Braga, líder da comitiva, mais aproximados 20 mil quilômetros de muita paisagem, aventura e a principal missão de difundir os feitos dos três brasileiros que abriram a Carretera Panamericana, nos anos 1920 e 1930. Além do novo objetivo agregado durante a viagem, o incentivo ao ideal pan-americanista.

Após descer pelo Paraná, Santa Catarina e Rio Grande Sul até adentrar o litoral uruguaio, eles passarão pelo balneário de Punta del Este, chegando à capital, Montevidéu.

Em seguida, retornam ao território argentino, desta vez rumo a Buenos Aires. A família Bragá seguirá pela costa portenha até Ushuaia, capital da Província da Terra do Fogo, e cidade mais austral do planeta, também conhecida entre geógrafos e viajantes como "Fim do Mundo".

Por falar em extremo, isso é o que na falta na viagem. Na primeira parte da jornada, a família Braga visitou o marco oficial que delimita o Círculo Polar Ártico, no Alasca, até alcançar "Prudhoe Bay", o extremo Norte das Américas, no Estado do Alasca.

Mas os extremos não se limitam apenas a fatores geográficos. Emoção foi o que não faltou na primeira etapa da jornada interamericana.

Apaixonado também por automobilismo, com predileção especial pelo "xodó" Ford-T, Braga, durante a passagem pelos Estados Unidos, sentiu-se na obrigação de visitar o museu da Ford (os expedicionários brasileiros dos anos 1920 se encontraram com nada mais nada menos que o lendário Henry Ford).

Aficionado pela trajetória do célebre industrial norte-americano, o pai da produção automobilística em massa, Beto não esconde a emoção que sentiu ao visitar a fábrica e seus memoriais, com destaque ao complexo de museus montado pelo visionário industrial, com direito à fixação, no local, da casa onde o próprio nasceu. "Não se trata de reprodução. É a mesma construção, transferida para lá", impressiona-se Braga. "É de chorar, se emocionar. Uma verdadeira fantasia", sintetiza. "Muito difícil expressar, só estar lá para ver mesmo", admite.

Ainda no complexo histórico da fábrica, ele se deparou com o exemplar original do Ford-T número 15 milhões. Outros carros marcantes, além de demais elementos que retratam fielmente o estilo de vida norte-americano chamaram a atenção dos visitantes. "A preocupação com a memória é algo existente naquela cultura não é de hoje. Muito diferente de nós, brasileiros, infelizmente", compara ele, que ainda se encontrou, em Washington, com Ruy Casaes, embaixador chefe da missão brasileira junto à OEA.

Da imponência do Grand Canyon até o calor das cidades do "Velho Oeste", com direito a saloons e moradores vestidos - "não fantasiados", diferencia Braga -, com direito a arma dentro do coldre na cintura, descreve o memorialista, que confessa: não resistiu e se despediu dos "States" visitando a Meca do turismo norte-americano, e talvez um dos maiores símbolos daquele País: a Disney.

Carretera


Braga e a família chegaram aos Estados Unidos - de onde avançaram até o Canadá e Alasca, com direito ao obrigatório tour pela lendária Rota 66, que cruza o território norte-americano de leste a oeste ? após rodarem por toda a América Latina através do traçado da Carretera Panamericana. Demais países latinos insulares, como a República Dominicana, também foram visitados, momento em que os viajantes deram um descanso para o possante ? uma equipada Ford Excursion ? e embarcaram em cruzeiro no imponente navio Allure of the Seas rumo às Antilhas.

Em alguns países, diferencia Beto, a estrada mantém o nome e chega a ser a principal artéria rodoviária. Antes de chegar ao território norte-americano, eles atravessaram o México, vindos da temida rota pela América Central. Nesse ponto, lembra Beto e o filho Caio, com quem revezou a direção durante o percurso, a maior preocupação é com a criminalidade. Do norte da Colômbia até a Guatemala, lembram, todo cuidado é pouco. "Recomenda-se não viajar à noite e, de preferência, sempre em comboios.

Tensão semelhante também na América do Sul. Ao cruzarem o território boliviano, os bauruenses foram avisados, numa praça de pedágio, sobre um "Paro", paralisação forçada por camponeses na estrada, com direito a saques e destruição de veículos.

A salvo, entraram em território colombiano, onde a tensão, recorda Braga, não diminuiu. "Toda a estrada tem a segurança reforçada por militares do exército, a fim de afugentar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Mas, ao ver aquele povo fortemente armado, a sensação de insegurança parece que aumenta", observa.

A própria carretera também impõe respeito. Nos Andes, túneis não passam de montanhas atravessadas por "buracos", comparam. As curvas andinas assustam. "Não há guard-rail em muitas delas. A paisagem se confunde e pode trair os menos avisados", descreve Renato, cinegrafista oficial da viagem. A jornada, que virará documentário, já acumula 4 terabytes de imagens, além de um acervo com mais de 8 mil fotos.

Em rota inversa ao percorrido pelos bauruenses, chega-se ao ponto de partida da Carretera Panamericana na primeira parte da jornada, a cidade de Salta, na Argentina. E é esse mesmo País que recebe a família Braga a partir deste mês, para o início da nova jornada. Que venham os próximos quilômetros!