07 de julho de 2026
Entrelinhas

Entrelinha

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min


? Muito dinheiro...

"Nunca antes na história" de Bauru a frase da cantiga muito lembrada na virada do ano (Muito dinheiro no bolso, saúde...) valeu tanto para a realidade da prefeitura. A arrecadação, como comentamos aqui, confirmou salto muito acima dos patamares normais da economia, fechando 15% acima dos 12 meses anteriores (2010). Isso representa R$ 66,5 milhões além do previsto no caixa (matéria na página 3).

? Mais dinheiro

Mas não é só isso. O prefeito ainda tem à sua disposição mais R$ 65 milhões nas chamadas contas vinculadas. É certo que estas contas são para despesas específicas, onde o recurso só pode ser utilizado para o fim a que foi destinado. Mas aqui estão recursos preciosos para a viabilidade eleitoral, por exemplo (construção de escolas, de unidades de saúde, emendas de pavimentação etc).

? Pecado capital

"Dinheiro na mão é vendaval. É vendaval! Na vida de um sonhador. De um sonhador! Quanta gente aí se engana. E cai da cama com toda a ilusão que sonhou..." Mas este trecho da também famosa canção assinada por Paulinho da Viola alerta, ou deveria ensinar, para os perigos do vil metal. Rodrigo até já reconheceu que gestão fiscal não é seu forte, mas não dá sinais de ajuste na rota, o que é perigoso.

? Folha do servidor

O efeito eleitoral da aplicação dos Planos de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) pode ser imediato, em 2012, mas a consequência dessas medidas para o gargalo da capacidade de investimento vem a galope. Há exatos 12 meses, a folha bruta estava em R$ 12 milhões. Neste janeiro, a prefeitura terá de desembolsar R$ 19 milhões para a mesma despesa. E alguém vê efeito sobre a prestação de serviço?

? Sem o abono

As contas estão nas últimas planilhas, mas já se sabe que o professor não terá sobra para ser distribuído a título de abono neste ano. A política de abono agrada a uns e cria distorção em relação ao restante do funcionalismo e tem sido utilizada como ferramenta de pressão nas escolas. Educador tem de ser muito bem remunerado e isso significa ter coragem de mudar a lei e fixar salário acima do patamar atual.

? Um vantagem

No caso de Bauru, os professores tanto pressionaram que a secretária de Educação, Vera Casério, convenceu o prefeito a dar "duzentão" por mês para cada educador a título de vantagem, recriando na estrutura pública um penduricalho que foi a premissa do plano de cargos (PCCS). Agora ainda falta o "cinquentão" mensal do pessoal de apoio. Ou seja, na prefeitura o abono já existe, mas tem outro nome.

? Brecha da lei

O secretário municipal do Meio Ambiente, Valcirlei Gonçalves, comentou ontem que a atual legislação que trata de regras para corte e podas de árvores favorece quem está realizando construção residencial. É que, neste caso, se o proprietário optar por instalar a garagem na saída onde está uma árvore, o projeto prevalece sobre a planta. Ou seja, a árvore é que vai para a caçamba. No caso de construção comercial, a área de estacionamento tem de se adequar à árvore. Tudo isso pede uma revisão na lei. Alguém da Câmara ou da prefeitura se habilita a discutir?