Portadores de diabetes que possuem o direito de receber gratuitamente do Estado materiais e medicamentos para se tratar estão sofrendo dificuldades para realizar o controle da doença. Eles reclamam que, desde o mês passado, a farmácia mantida pelo Departamento Regional de Saúde 6 (DRS-6) em Bauru deixou de fornecer as fitas para medição de glicose no sangue.
Outro paciente reclama ainda que não consegue obter a insulina que deveria ser distribuída gratuitamente.
Todos os que recorrem ao estabelecimento possuem mandados de segurança impetrados na Justiça para receber, mensalmente, os insumos receitados por seus médicos para o tratamento do diabetes.
Mas desde o final do ano passado, a falta das tiras e de insulina tem provocado transtorno e indignação entre os doentes e seus familiares, segundo confirmou a Associação dos Diabéticos de Bauru.
A fita possui um reagente que, em contato com o sangue, aponta os níveis de glicemia do paciente e, por esse motivo, é imprescindível para determinar a quantidade de medicação e insulina necessária para manter o diabetes sob controle.
O problema é que este procedimento tem de ser realizado várias vezes ao dia e muitos pacientes estão sendo obrigados a comprometer o orçamento com a compra do material, que custa caro.
Um portador de diabetes tipo 2, que não quis se identificar, conta que vem desembolsando cerca de R$ 180,00 por semana para comprar tiras e insulina como forma de garantir a continuidade do tratamento da doença, que não tem cura e pode levar à morte.
"Assim como eu, muitos outros usuários certamente estão vivendo o mesmo problema. Toda vez que procuro informações com os funcionários para saber quando os medicamentos vão chegar, ninguém informa uma data exata", revela.
A última promessa de uma funcionária da farmácia, feita ontem ao paciente, era de que a insulina e as tiras reagentes chegariam dentro do prazo máximo de dez dias. Segundo o paciente, as irregularidades na entrega dos materiais são frequentes e se tornam crônicas a cada final de ano.
"Estou desde o dia 26 de dezembro esperando uma resposta mas, até agora, nada. Não sei qual a conta que eles fazem, que sempre falta. Isso precisa ser revisto", reclama, lembrando que os medicamentos voltados aos diabéticos são de uso contínuo e, portanto, os estoques precisam estar sempre abastecidos.
Angústia
Consultada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde informou que cada mandado de segurança é analisado e cumprido individualmente e que problemas pontuais não significam que todos os usuários estejam desprovidos de fitas e insulina. Como os pacientes que procuraram o Jornal da Cidade não autorizaram a divulgação de seus nomes, a pasta não pôde responder sobre os motivos que levaram ao atraso.
Enquanto o problema não é resolvido, pessoas como outra bauruense que preferiu se manter no anonimato permanecem angustiadas. Ela também não consegue acesso às tiras reagentes há duas semanas. A solução tem sido recorrer às farmácias particulares, que nem sempre possuem o medicamento para pronta-entrega.
"Fica aquela correria na cidade inteira atrás do material necessário. As tiras funcionam como o relógio do organismo do diabético e não dá para ficar sem elas. Esse descaso é uma brincadeira com uma doença séria que pode custar a vida das pessoas", defende.
No início da noite de ontem, a reportagem tentou falar diretamente com a diretora da DRS-6, Doroti da Conceição Vieira Alves Ferreira, mas em todas as tentativas seu telefone celular estava desligado.