09 de julho de 2026
Bairros

Bolsão de entulho gera reclamações

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

Vários moradores da Quinta da Bela Olinda procuraram o Jornal da Cidade para reclamar sobre o despejo de entulhos nas proximidades da lagoa do bairro. Desde a última segunda-feira, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), em parceria com a Associação dos Transportadores de Entulho e Agregados de Bauru (Asten), trabalha no local para conter uma erosão de mais de 10 metros próxima à rua Carlos Aloia.

A dona de casa Elza Pantoro, 61 anos, assim como o resto da vizinhança, está apreensiva com o trabalho feito pelos diversos caminhões que entram e saem a todo momento com lixo e entulho. “O rapaz que mora aqui perto já foi questionar os funcionários para saber o que está acontecendo. Aqui antigamente era um lixão, então acho que proibiram e eles tiraram o lixo e renovaram as curvas de nível. Mas agora, que o mato e as árvores cresceram, os caminhões começaram a depositar lixo de novo”, reclama a moradora.

Funcionários que estavam trabalhando no local afirmaram à equipe de reportagem do Jornal da Cidade que o serviço, autorizado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) e feito pela Asten, é legalizado. Segundo os funcionários, todo o material é selecionado antes de ser despejado na erosão. Os detritos orgânicos seriam acomodados em caçambas para envio ao aterro sanitário.

Já as madeiras, segundo os funcionários, seriam selecionadas por uma empresa no local e enviadas a uma indústria. Os materiais recicláveis e alguns entulhos também teriam destino certo, sendo encaminhados ao Ecoponto da Semma ou doados para catadores.

 

Incômodo

Para Simone Cristina Barbosa, 39 anos, moradora de uma rua em frente ao bolsão, o despejo de entulho na área é inaceitável. “O cheiro de lixo está forte, tem mosca e varejeira dentro de casa, poeira, não venço limpar a casa. Eu tenho dois filhos, imagina o problema que essa poeira nos causa”, desabafa a moradora.

De acordo com ela, o problema se agrava com a chegada das caçambas que, por muitas vezes, não possuem apenas detritos de construção e entulhos, mas restos orgânicos. “Quando você olha, parece que é só entulho, mas tem lixo também. Meu marido foi lá (no local das obras) conversar na segunda-feira e o agente disse para ele que não seria jogado lixo orgânico ali, mas as caçambas com mau cheiro estão lá paradas”, afirma Simone.

Outro problema apontado pela moradora é a apreensão em relação ao movimento de pessoas estranhas pelo bairro, que vão até o local para recolher as sobras dos recicláveis. “Eu não estou nem saindo com as crianças. Alguns catadores acabam guardando sacos com objetos e entulhos dentro e isso acaba atraindo bichos também. Ali mesmo, aquilo não estava lá”, apontou a moradora para um punhado de sacolas que estavam enroscadas em um tronco de árvore com água acumulada.

O engenheiro de segurança e meio ambiente e presidente da Associação de Moradores da Quinta da Bela Olinda, Carlos Fernando Prado Marques, 48 anos, afirma que diversos moradores entraram em contato com ele reclamando da situação. Para Marques, o bolsão de entulho é uma forma incorreta de resolver o problema da erosão no local.

“Acredito que essa medida irá assorear ainda mais o rio. Com a chuva, os entulhos irão descer para a lagoa. Acho que a prefeitura autorizou o aterro da erosão, mas sem realizar um projeto de drenagem adequado e, como engenheiro, digo que isso não é correto e contribui para poluir ainda mais o local”, ressalta Marques.

 

Semma pede paciência

Ao ser questionada sobre o bolsão de entulho no bairro, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), por meio da diretora do departamento de ações e recursos ambientais, Gilda Scalfi, indica que todo o trabalho realizado na área foi feito para conter a grande erosão que pode atingir a rua Carlos Aloia.

Em relação à poluição das nascentes, a diretora afirma que um estudo mapeou o local e a nascente está entre 70 e 80 metros de distância de onde o serviço é realizado, sendo que a regra estipulada é de 50 metros.

A respeito do lixo incorreto que estão sendo levado pelas caçambas para o local, como os detritos orgânicos, Gilda pontua que os agentes da secretaria estiveram anteontem no bolsão e constataram as irregularidades.

Mas segundo ela, algumas providências como o alerta aos responsáveis pelo serviço e a conscientização dos funcionários sobre a separação do lixo já foi feito. De acordo com a diretora, apenas os materiais oriundos da construção civil serão destinados à contenção da erosão.

“Nós sabemos que a impressão que dá aos moradores é de que o local está virando um lixão, mas não é isso, nós trabalhos diariamente com isso e o que estamos fazendo é impedir maiores problemas. Pedimos apenas um pouco de compreensão dos moradores quanto aos incômodos causados pelo próprio serviço”, completa a diretora do departamento de ações e recursos ambientais da Semma. O serviço do bolsão de entulhos na Quinta da Bela Olinda terminará em 30 dias.

 

Obra aterra galeria pluvial no buraco de 10m

Na tarde de anteontem, a equipe do Jornal da Cidade esteve acompanhada do engenheiro de segurança e meio ambiente, Carlos Fernando Prado Marques na área onde os serviços de aterramento da erosão da Quinta da Bela Olinda estão acontecendo. Dentro do buraco, com mais de 10 metros de extensão, foi constatada a presença de um tubo de galeria pluvial com mais de um metro de extensão.

A água dessa tubulação, segundo o engenheiro, vem da parte alta do bairro e se a galeria for aterrada poderá causar prejuízos como o assoreamento e a poluição do rio.

“Imagine uma tubulação desse calibre em um dia de chuva. Os detritos que estão sendo usados para aterrar a erosão serão empurrados para o rio. Se foi feito um estudo, provavelmente eles não foram no local ou não tinham conhecimento da existência dessa tubulação”, pontua o engenheiro, que alega que deveria ter sido realizada uma extensão da galeria ao invés do aterramento.

Quem passa pelas redondezas da rua 19, que dá acesso à lagoa da Quinta da Bela Olinda pelo bairro Mary Dota, pode ter uma ideia do descaso da população com o meio ambiente. Durante todo o trajeto da via é possível observar, às margens da pista, uma quantidade imensa de lixo e entulho jogados no local pela própria população.

De acordo com a Secretaria do Meio Ambiente, foi feita uma grande operação de limpeza no local há menos de um mês, entretanto, a população continua despejando lixo.