10 de julho de 2026
Regional

Costura é o caminho para independência de ex-cortadoras de cana

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Mais importante do que dar o peixe é ensinar a pescar, diz o ditado popular. Em tempo de economia aquecida, cidades de todo Brasil aproveitam a ‘maré’ para profissionalizar a mão de obra e dar oportunidade às pessoas de serem inseridas no mercado de trabalho. Com a autoestima em alta, a população de baixa renda passa a andar com suas próprias pernas e deixam de depender da ajuda do governo.


Foi isso o que aconteceu em Lins (102 quilômetros de Bauru), onde o Fundo Social de Solidariedade (Fuss) tratou de ensinar as mulheres de baixa renda a conquistar um espaço profissional. São várias as atividades que elas podem aprender, desde empreendedorismo até costura industrial.


O negócio está dando certo e as ‘costureiras’ começam o ano com objetivo definido: vão formar uma associação e, posteriormente, uma cooperativa. O objetivo é dar condições às alunas do corte e costura de serem formais perante o mercado de uniformes. Atualmente, elas costuram para uma empresa que terceiriza o trabalho.


O sucesso da empreitada é comemorado pela gerente e coordenadora do Fuss, Aparecida Alves de Oliveira. “Em 2011, tivemos um avanço grande. Acredito que em 40 dias, mais ou menos, estaremos formalizando a associação. Em seguida, vamos montar a cooperativa. Para a associação, precisamos apenas de quatro pessoas. Para a cooperativa são necessárias 30.”


A formalização vai possibilitar a emissão de notas e recibos. “Por falta de nota nós temos que trabalhar para uma empresa que terceiriza o serviço de costura de uniformes. O Fuss é ligado ao gabinete do prefeito e com a associação, se torna independente”, ressalta a presidente do Fuss, Rejane Casadei.


Para criar a cooperativa, de acordo com a primeira-dama, a equipe do Fuss foi visitar uma cooperativa em Botucatu. “Lá, a cooperativa tem 17 anos e mais de 200 cooperados. Fomos ver como funciona porque, a partir da criação, as costureiras vão ser empresárias, todos serão donas e vão dividir despesas e faturamento.”


O serviço de costura do Fuss está tão ‘saudável’ que a coleta de agasalhos para as crianças das creches municipais foi suspensa, em 2007, comenta a coordenadora. “Todo ano arrecadávamos agasalhos para as crianças de baixa renda, aquelas que frequentavam as creches. Em 2007, nós convocamos as mães e elas fizeram os moletons das crianças.”


Trabalho semelhante é realizado em Macatuba (46 quilômetros de Bauru), onde a mão de obra que se dedicava ao corte de cana está sendo canalizada para a costura industrial, uma vocação do município ressalta o secretário do Desenvolvimento, Evandro Mâncio.


“O curso de costura foi criado para capacitar o pessoal de corte de cana. O corte manual vai ser extinto. Temos o Centro Municipal Profissionalizante (Cemp) que capacita o pessoal com o Senai.”