08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Eu doei sangue


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Na manhã do dia agendado para a doação, eu hesitei. Era dia útil, as pessoas mais próximas estariam ocupadas para me acudir caso eu não conseguisse voltar sozinha do hemocentro. Mas como eu já tinha avisado os colegas da minha ausência, e seu nobre motivo, não pude fugir.

Cheguei cedo, preenchi um breve formulário, respondi que era a primeira doação, fui avisada que haveria um teste de anemia antes, e fui para o final da inesperada fila. Pelo menos oito doadores aguardavam antes de mim.

Fiz o teste, que deu negativo, e entrei na sala de coleta. Higienizei os dois braços e deixei a enfermeira escolher um. A aplicação da agulha foi mais suave que mordida de pernilongo. Pensando bem, fazer sangue sair tem de ser mais fácil mesmo que fazer soro entrar. Por isso a tranquilidade toda.

Enquanto apertava a bola de borracha e jogava conversa fora, a enfermeira explicou que são retirados cerca de 450ml de sangue, mas que somente 200ml são destinados a pacientes que necessitam. O resto é utilizado nos testes de qualidade do sangue, que a gente naturalmente pode conhecer se for buscar o resultado alguns dias depois. O hemocentro ainda oferece o serviço de avisar por e-mail ou telefone quando o voluntário já pode fazer uma nova doação, a cada dois meses para homens e a cada três para mulheres.

Ouvimos um apito do aparelho de coleta e a enfermeira veio desligá-lo. A bolsa estava cheia em menos de 6 minutos. Ela orientou que eu permanecesse na maca por mais 10 minutos. A todo momento, perguntava se tudo estava bem. Disse para evitar atividades cansativas naquele dia, inclusive as escadarias do meu trabalho, beber bastante água, e apontou a copa onde eu deveria fazer um lanche. Tomei água, suco, comi bolacha, troquei figurinhas com outros doadores, parecia um happy hour politicamente correto. E saí de lá decidida a ser uma doadora constante.

Voltei sem pressa e tomei todos os cuidados sugeridos, mas, para quem já passou por um parto de 9 horas com contrações ininterruptas, foi quase um passeio na Disney. Ainda não pude ir buscar o resultado, farei isso já na próxima doação. E recomendo.


Cláudia Fukumoto Uehara