08 de julho de 2026
Nacional

Mãe e padrasto de criança morta sofrem ameaça em Ribeirão Preto

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Ribeirão Preto - Investigados pela Polícia Civil por suspeita de maus-tratos contra Daniel Henrique de Souza Rezende, 2 anos, morto anteontem após ficar internado no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (313 km de SP), a mãe e o padrasto da criança foram ameaçados e tiveram a casa arrombada. A invasão aconteceu na tarde de ontem, enquanto a família estava no velório da criança. De acordo com o eletricista Fábio Alexandre Minchio, 31 anos, padrasto de Daniel, foi registrado um boletim de ocorrência.


Nada foi furtado. Na quinta, dia 5, quando o garoto deu entrada no HC, o próprio hospital registrou um boletim de ocorrência no qual informava que o menino chegou com aparência semiconsciente e “depressões nas nádegas aparentando marcas de chinelo, denotando marcas de violência’’. À reportagem, Minchio negou que ele ou a mãe de Daniel, Ana Aparecida de Souza, 23 anos, tenham agredido o menino. Ele manteve a versão dada à polícia: disse que estava dando banho em Daniel quando o deixou sozinho porque o outro filho, um bebê, estava chorando. “Quando voltei, ele estava sentado no chão e com corpo mole. Terminei enxugá-lo e ele desmaiou”, afirmou. O padrasto disse que chamou pelo menino, mas ele não respondeu. Imediatamente, segundo ele, pediu para que um vizinho os levasse até a UBDS (Unidade Básica Distrital de Saúde) Quintino Facci 2. De lá, a criança foi transferida para o HC.



Convulsão


De acordo com Minchio, o menino fazia uso do remédio Gardenal, por recomendação médica, após voltar de uma visita da casa da madrasta Ivete Aparecida Roncari, 56, em Franca no mês de dezembro. “Ele voltou dizendo que a madrasta tinha batido a cabeça dele na parede. Levamos ao hospital e ele teve uma convulsão”, afirmou. Questionado sobre a existência de marca roxa nas nádegas da criança, conforme informado pelo HC à polícia, o padrasto afirmou que a mancha estava pequena e, com o passar das horas, seu tamanho foi aumentando. “Nem os médicos conseguiram nos explicar que mancha é aquela”, disse. O laudo sobre a morte de Daniel ficará pronto no próximo dia 12, de acordo com o padrasto do menino. O pai do menino, Álvaro Leandro Rezende, 44 anos, havia negado que Ivete tenha agredido Daniel.


Ele disse ter visto o filho pela última vez em novembro e que, no mês anterior, a criança passou cerca de 20 dias em Ribeirão Preto e voltou para Franca com machucados na boca e na perna. Na ocasião, segundo ele, a mãe disse que o menino havia caído da cama. Álvaro e Ivete também são investigados pela polícia.



Trocam de acusação


Ontem, os responsáveis pelo garoto trocam acusações. Fábio Alexandre Minchio, o padrasto, diz que Daniel voltou de uma visita da casa da madrasta em dezembro afirmando que havia sido agredido por ela na cabeça.


Na ocasião, o menino foi levado pela mãe, ao HC com hemorragia craniana e fratura na perna esquerda.


A madrasta, Ivete Aparecida Roncari, 56 anos, classifica a acusação como “absurda” e diz que nunca agrediu Daniel.


“Irei procurar um advogado amanhã porque vou processá-los por calúnia.” O pai de Daniel, Álvaro Leandro Rezende, diz que o filho passou uma temporada de 20 dias com a mãe em setembro e voltou com machucados na boca e na perna.


A declaração de óbito aponta que Daniel morreu por traumatismo crânioencefálico. O laudo do IML (Instituto Médico Legal) deve ficar pronto na quinta-feira.