08 de julho de 2026
Geral

Estrutura desaba e mata pedreiro

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Poucos segundos. Foi este o tempo que 12 funcionários de uma obra localizada na quadra 19 da rua Marcondes Salgado, Vila Cardia, em Bauru, tiveram para escapar da morte. Um guindaste estava sendo usado no local, posicionando telhas de zinco e isopor sobre a estrutura metálica de um barracão de 2.000 m² quando esta cedeu, atingindo dois funcionários. O pedreiro Aparecido Mendes de Moraes, 54 anos, morreu no local, e Michael Juvenal dos Santos, 36 anos, foi socorrido com politraumas.

Segundo relato dos funcionários da empresa responsável pela obra, que contratou uma terceirizada especializada na colocação de estruturas metálicas, era por volta das 16h50 quando um guindaste terminava de posicionar as telhas. Uma testemunha que passava pela rua Francisco Vidrich, ao lado da obra, ainda em estado de choque relatou ao JC como tudo aconteceu.

"Foi horrível. Estava tudo bem quando, de repente, escutei um barulho enorme. Tudo começou a cair, como um efeito dominó. Vi o homem ser atingido, sem poder fazer nada para ajudar. Outros gritavam", relatou.

Alguns funcionários, que pediram sigilo da identidade, contaram ao JC que não foi a primeira vez que este tipo de acidente ocorreu na obra, onde deverá funcionar uma empresa de autopeças. "A gente começou a trabalhar ali há uns seis meses. Há uns dois meses aconteceu um desabamento. Foi Deus que me manteve vivo da outra vez, porque eu pulei", disse um dos funcionários.


Tristeza e medo

Também vítima deste primeiro suposto desabamento, outro funcionário disse que não mais voltará à obra, expressando o sentimento de tristeza pela morte do amigo e medo de que outros acidentes ocorram. "Nós tentamos salvar o Aparecido com um macaco hidráulico, mas não deu", disse, com os olhos marejados.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas quando a equipe chegou ao local, apenas constatou o óbito de Aparecido. Michael foi levado pela Unidade de Resgate (UR) do Corpo de Bombeiros até o Pronto-Socorro Central (PSC) com politrauma em estado grave.

Do lado de fora da área, isolada para trabalho da Polícia Militar (PM), Polícia Civil e Corpo de Bombeiros, era possível visualizar o problema. As vigas de ferro que davam sustentação ao telhado provavelmente não aguentaram o peso das telhas e se soltaram do solo. Os ferros retorcidos mostravam a velocidade com que o telhado desabou, atingindo Aparecido.

O delegado plantonista Mário Henrique de Oliveira Ramos compareceu ao local com sua equipe de investigadores para coletar os primeiros dados. A Polícia Científica também compareceu para fazer a perícia técnica, que subsidiará as investigações. O corpo da vítima estava debaixo de alguns ferros retorcidos.

A estrutura o atingiu do lado direito do corpo e nas pernas, causando fratura de crânio e provavelmente de um dos membros inferiores. A Polícia Civil vai instaurar um inquérito para apurar o que de fato aconteceu, se os funcionários usavam equipamentos de segurança e se a obra está dentro dos trâmites legais.

O pedreiro Aparecido Mendes de Moraes, que morreu no local, era funcionário da empresa que executa a obra. Já Michael Juvenal dos Santos, 36 anos, pertencia ao quadro da empresa responsável pelas estruturas metálicas e, até o fechamento desta edição, permanecia em estado regular, internado na Hope (espécie de ala intermediária da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital de Base) aguardando por cirurgia.


Problema técnico?

O engenheiro responsável pela empresa terceirizada que forneceu a mão de obra para as estruturas metálicas estava no local, mas não quis se identificar e nem prestar esclarecimentos à imprensa.

O engenheiro responsável pela empresa que está construindo o imóvel, Renato Tadeu Parreira, lamentou o fato e disse estar prestando toda a assistência necessária às famílias das vítimas.

"A empresa trabalha há 16 anos no mercado, faz tudo para agir dentro das normas e nós contratamos uma empresa de estrutura metálica, especializada, que tem contrato. Ela é responsável pela colocação da estrutura que, por motivo ainda desconhecido, veio a cair. A empresa vai tomar todas as medidas cabíveis e possíveis para amenizar a dor dessas famílias".

Parreira frisa que é a empresa especializada que responderá por qualquer irregularidade, caso estas sejam constatadas em laudo. "Vai ter um laudo, vai ter um estudo que vai dizer o que aconteceu na realidade. A empresa trabalha conosco desde o início da obra. Esta empresa contratou um guindaste forte para colocar as telhas".

Apesar do desespero dos funcionários e relatos de que este seria o segundo desabamento ocorrido no local, o engenheiro Renato Tadeu Parreira, nega esta versão. "Não, isso não é verdade. Não houve desabamento. Sem problema nenhum".