09 de julho de 2026
Nacional

Ação na cracolândia será investigada


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São Paulo - Um inquérito civil foi aberto em conjunto por quatro promotorias para investigar a operação iniciada no dia 3 pela Polícia Militar na cracolândia, no centro de São Paulo. Segundo os promotores de Habitação, Direitos Humanos (Assistência Social e Saúde) e da Infância e Juventude, o objetivo é descobrir quem está comandando a ação e se houve improbidade administrativa.

 

Em entrevista coletiva realizada ontem, eles caracterizam como "desastrosa" a ação, que teria boicotado o trabalho que já estava sendo feito na região.

 

A principal crítica dos promotores é que a ação foi realizada antes da inauguração do centro de acolhimento para usuários de drogas, localizado na rua Prates, região central.

 

O grupo marcou uma reunião com os órgãos envolvidos para o próximo dia 13 a fim de decidir o que pode ser feito e quem pode ser responsabilizado.

 

Os promotores ainda foram questionados se operação teria sido deflagrada para tentar impedir uma intervenção do governo federal na região. "Não é possível fazer esta afirmação, mas temos que lembrar que é um ano eleitoral", disseram.

 

Governo proíbe uso de bombas e balas de borracha

 

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, proibiu que a Polícia Militar use bombas de efeito moral e balas de borracha para dispersar usuários de droga na cracolândia. "Mandei que eles (policiais) nem levem esses armamentos para lá. Em caso de extrema necessidade, só poderão usar gás pimenta."

 

A decisão, segundo o próprio secretário, foi tomada após a publicação de reportagem que mostrou policiais lançando bombas e atirando balas de borracha contra uma multidão de 100 usuários de crack que se concentravam no centro paulistano, na rua dos Gusmões, próximo da rua Conselheiro Nébias pouco antes da 0h de domingo.

 

O defensor Carlos Weis, coordenador do núcleo de direitos humanos da Defensoria Pública, disse que o que tem de acabar são as dispersões de moradores de rua reunidos pacificamente em pontos da região central. Weis diz que o correto seria os policiais circularem pela a área e prender quem estiver consumindo crack ou traficantes.