Depois de perder as filhas gêmeas aos sete meses de gestação, a auxiliar de serviços gerais Cláudia Carolina Picoloto, 20 anos, já está em casa. Na tarde de ontem, ela recebeu alta da Maternidade Santa Isabel, em Bauru, e voltou para Avaí, onde mora com o marido, o administrador Luciano de Lima, 23 anos.
Os bebês, que ficaram mais de 12 horas sem vida na barriga da mãe, foram enterrados ontem de manhã. Não houve necessidade de cirurgia para que o aborto, estimulado por medicamentos, ocorresse. A família acusa a maternidade de negligência médica, já que Cláudia ficou quatro dias internada na unidade, sentindo contrações, mesmo depois de os médicos ministrarem remédios para evitar que as crianças nascessem antes do tempo.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Associação Hospitalar de Bauru (AHB), que administra a maternidade, informou que não há indícios que possam comprovar omissão ou falha técnica por parte dos profissionais que atenderam a gestante. Mesmo assim, reconheceu que a causa da morte só poderá ser esclarecida através dos exames necroscópicos dos bebês e patológicos da paciente.
A associação revelou ainda que há suspeita de que a morte das gêmeas tenha sido provocada por uma trombose do cordão umbilical, com interrupção da circulação do canal que as alimentava. Salienta, entretanto, que a origem dessa patologia, se confirmada, poderá ser descoberta somente após exames especializados.
Até o final da tarde de ontem, o caso ainda não havia sido encaminhado à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Bauru, responsável por dar encaminhamento às investigações. O laudo do exame realizado ontem nos bebês pelo Instituto Médico Legal (IML) deverá ficar pronto em 30 dias.