09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Dilma precisa mostrar a que veio em 2012


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Se olharmos para os números de 2011, com exceção do crescimento pífio do PIB, que deverá ficar em 2,8%, ou de R$ 4,2 trilhões, dá a impressão que estamos muito bem! Desemprego na casa do 5,2%, com dois milhões de novos empregos criados com carteira assinada. Mercado interno ainda razoavelmente aquecido. Oferta de crédito que alcançou em 2011, a R$ 2 trilhões, ou 48% do PIB, e que no início da década não ultrapassava de 25%. Taxa Selic caindo!

E ainda reservas cambiais de US$ 352 bi. Deposito compulsório retido no BC de R$ 400 bilhões. E de sobra terminamos o ano como a sexta maior economia do mundo! Colocando os ingleses no chinelo! Maravilha! Não! Restam crônicos e importantes gargalos a serem resolvidos sem o qual dificilmente seremos uma Nação desenvolvida...

A começar pela corrupção, que pelos cálculos dos especialistas, são desviados por ano no Brasil, e principalmente nesta era petista, algo como R$ 85 bilhões. Que seria o suficiente para resolver a falta de verba para educação e saúde etc.

A infraestrutura continua um caos. Sem estradas, ferrovias, aeroportos, portos de qualidade, para que possamos transportar nossos produtos com custo infinitamente menor. E ainda, mais de 50 milhões de brasileiros que continuam sem serviços de saneamento básico. Vivem com esgoto a céu aberto, o que regularmente são acometidos de alguma doença! Sem falar na reduzida oferta de água potável... E muito mal colocados no Índice de Desenvolvimento Humano.

Mas voltando a economia, 2012 a meu ver não será melhor do que o ano passado, como principalmente a presidente Dilma teima afirmar. Porque em 2011, os primeiros seis meses pegaram carona do bom comportamento da economia em 2010 que teve um PIB de 7,5%. E como o último trimestre de 2011 foi de estagnação, e ainda com vendas natalinas fracas, entendemos que o semestre inicial será bem prejudicado. Só talvez com a inflação em baixa.

É bom lembrar que qualquer tentativa do governo de estimular o consumo, pode ser uma ação inócua, porque a família brasileira esta com seu orçamento comprometido, e a inadimplência alta. E mesmo com o reajuste do salário mínimo para R$ 622,00, que promoverá uma injeção de R$ 47 bi na economia, não acredito num impacto que propicie importante elevação do PIB.

Outra face negativa deste possível recuo da atividade humana no País em 2012, vai se verificar na criação de empregos que não deve ultrapassar a marca do 1,5 milhão, contra dois milhões de 2011. Ou seja, insuficiente para atender no mínimo os mais de 1,7 milhão de jovens com idade para o mercado de trabalho.

A crise da Zona do Euro, também vai trazer reflexos negativos para a nossa economia. Apesar da melhora dos números da atividade humana nos EUA. A China que também tem alavancado a economia mundial nos últimos anos, deve crescer menos. E isso deve contagiar muitos outros mercados.

E para piorar, especula-se que os preços das comodities devem cair, como os dos produtos siderúrgicos e agrícolas que muito dependemos para o bom resultado das exportações, e consequente saldo positivo na balança comercial.

Como o nosso governo tem sido incapaz de acelerar os níveis de investimentos, não passando dos medíocres 18% do PIB em 2011, não adianta ficar na esperança de que as obras já em andamento para Copa do Mundo, podem ser suficientes para alavancar a economia, já que o blefe do PAC não anda!

E por fim, com a alta inadimplência, o crédito para as micros, pequenas e médias empresas, continuara escasso. Mesmo sendo tais setores, os que mais empregam mão de obra. E ainda para o nosso azar, vamos ter de suportar o indigesto Horário Político Eleitoral em 2012... Cruz Credo!

Paulo Panossian - Jornalista