Depois das duas ocorrências de sequestro-relâmpago registradas em Bauru, entre sábado e anteontem, envolvendo motoristas parados em semáforos de trânsito, o Jornal da Cidade colheu relatos de pedestres, comerciantes e condutores que admitiram já ter alterado alguns hábitos em busca de mais segurança ou que, recentemente, redobraram a atenção nas vias públicas da cidade.
"Como eu saio de casa muito cedo para trabalhar já aconteceu, por exemplo, de ?furar? um farol que estava fechado porque desconfiei da presença de alguns indivíduos próximo ao local onde estava parado ", diz o motorista Paulo Roberto Camargo Maia, 53 anos. "Agora, depois da divulgação destes dois últimos sequestros, a gente tenta ficar mais esperto, mais atento", reforça.
Assim como Roberto, o técnico Rodrigo Nicolini, 31 anos, admite que vai adotar medidas para dificultar a ação de criminosos. "Eu costumo dirigir com a janela aberta, mas depois destes exemplos não tem como não tomar mais cuidado."
"Ontem (anteontem) eu abri minha loja como eu sempre faço, mas hoje (ontem) já fiquei de olho nas pessoas que estavam por perto antes de chegar. O pensamento era simples: se notar algo suspeito vou direto para a base da Polícia Militar que fica aqui perto", explica o comerciante Júnior Lima.
Três linhas
O titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kleber Granja, disse ontem à tarde que trabalha com até três linhas de investigação para esclarecer o caso de sequestro-relâmpago ocorrido anteontem.
"O que houve pode ser desdobramento de casos anteriores ou mesmo episódio isolado. As linhas de investigação com base, inclusive, em análise do local, devem elucidar isso. Seja como for, o inquérito será instaurado quando determinarmos a autoria". O delegado acrescenta: "Queremos evitar que outros casos aconteçam".
Segundo um comerciante que pediu para não ter a identidade revelada, a ação dos ladrões na última quarta-feira foi muito rápida. "Eles estavam parados próximos à loja. Quando as funcionárias perceberam eles já tinham rendido o senhor e feito ele refém", lembra.
Uma questão que faz com que as pessoas não tomem atitudes antes deste tipo de ação ocorrer é o fato de ser praticamente impossível usar os famosos estereótipos para determinar quem é criminoso nos dias atuais. "No caso deste senhor, eu notei que os dois rapazes estavam sentados ali na esquina e até achei estranho. Mas, como lá é um lugar no qual outras pessoas ficam paradas, eu não tinha nem como questioná-los", reforça Lima.
Relembre os casos
A ocorrência mais recente ocorreu na manhã de última quarta-feira, na esquina das ruas Araújo Leite e 1º de Agosto, no centro de Bauru, e não no cruzamento com a Azarias Leite com a 1º de Agosto, como o Jornal da Cidade informou ontem. A vítima foi abordada por volta das 9h30 por dois rapazes, um deles armado com revólver, quando parou o veículo que conduzia no farol vermelho.
Os ladrões levaram cartões bancários e cerca de R$ 230 que estava na carteira do motorista. A vítima também foi obrigada a seguir até uma agência bancária da cidade e realizar saque, antes de ser abandonada na rua Alfredo Ruiz.
O segundo caso aconteceu na tarde de sábado, quando um arquiteto foi rendido por um criminoso armado no cruzamento da avenida Nações unidas com a rua Presidente Kennedy. O assaltante levou R$ 1 mil, um relógio e um celular.
?Vim para Bauru em busca de segurança?
A comerciante Sandra Martins, 51 anos, mudou-se com a família para Bauru, há cerca de cinco anos, em busca de segurança depois que a filha foi atingida por um tiro num assalto, justamente enquanto dirigia.
"Desde que chegamos aqui não tivemos nenhum surpresa desagradável. Mesmo assim, sempre tomamos cuidado para que isso não aconteça. Por exemplo, ando sempre com o vidro fechado e meu carro tem insulfim, o que dificulta para o bandido identificar se é um homem ou uma mulher que está ao volante", explica.
Outras táticas adotadas por Sandra vão desde "esconder" a bolsa debaixo do banco até a observar atentamente os veículos que estão próximos. "Se eu noto um carro estranho ou um motoqueiro por muito tempo atrás de mim, tento dar passagem para ter certeza que eles não têm outras intenções", finaliza.