09 de julho de 2026
Rural

EUA vão testar suco de laranja de todos os países para consumir


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Os Estados Unidos irão testar o suco de laranja importado de todos os países antes de disponibilizá-lo para consumo. O país informou que irá destruir ou proibir produtos que contenham o fungicida carbendazim (vetado nos EUA).

De acordo com o FDA (siga em inglês para Food and Drug Administration), agência americana reguladora de alimentos e medicamentos, foram feitos testes iniciais em cargas trazidas do Canadá, mas o material não continha a substância química.

A agência diz que estudos relacionam o produto ao aumento do risco de tumores no fígado em animais.

O Brasil é o maior exportador de suco de laranja do mundo, e cerca de 15% de seus embarques vão para os EUA. Nos mercados americanos, o produto brasileiro custa menos que o suco local.

Além disso, cerca de 80% do suco de laranja vendido nos EUA é misturado ao suco brasileiro, segundo Christian Lohbauer, presidente da CitrusBR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos).

O Ministério da Agricultura informou, em nota, que o governo brasileiro não foi notificado oficialmente sobre os testes de segurança feitos pela FDA no suco de laranja brasileiro.

Segundo a pasta, o fungicida carbendazim é usado há 21 anos nas lavouras de citros -laranja, limão, lima e outros- e a quantidade segue o limite estabelecido pelo Codex Alimentarius (código internacional de referência para a segurança dos alimentos).


Histórico

No final de dezembro, testes realizados por uma empresa importadora detectaram a presença do fungicida no suco do Brasil em níveis abaixo do permitido pelo Codex Alimentarius e por outros importadores, como a União Europeia e o Japão.

Os EUA, único importador que proíbe o carbendazim, decidiram banir esse fungicida em 2009. Na terça-feira, os EUA anunciaram que iriam testar os sucos de laranja do Brasil.

De acordo com Lohbauer, o carbendazim é usado por todos os produtores brasileiros em suas lavouras, para protegê-las de pragas como ponta preta e estrelinha.


Fungo

A indústria brasileira de suco de laranja foi notificada no dia 28 de dezembro de 2011 do surgimento de traços do fungicida Derosal (carbendazim) em uma carga da bebida comercializada naquele mês na Flórida (EUA). Desde então, a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), comandada pelo presidente Christian Lohbauer, negocia com os clientes e o governo norte-americano para evitar refugos de cargas ou embargos da bebida, informou uma fonte à Agência Estado.

Os EUA compram 15% de todo o suco brasileiro, maior produtor mundial da bebida, ou cerca de U$ 300 milhões dos US$ 2 bilhões vendidos no exterior pelo País. Uma possível suspensão do comércio fez com que os contratos futuros do suco de laranja concentrado e congelado disparassem na Bolsa de Nova York.

Segundo a fonte, a descoberta de traços do fungicida, comumente utilizado no Brasil para o controle da pinta preta e da estrelinha, foi feita pela Coca-Cola. No mercado norte-americano, a multinacional é uma grande engarrafadora do suco. Apesar de proibido para o cultivo de citros, o fungicida tem autorização para ser utilizado em maçãs nos Estados Unidos. Já na Europa, o uso do produto é liberado.

Lohbauer admitiu que os EUA podem vetar a entrada de suco de laranja do Brasil com traços do fungicida carbendazim.

Ele afirmou que os EUA sempre importaram a bebida com o carbendazim, inclusive após 2009, e eram informados desse fato. Naquele ano, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês) cessou a autorização para o uso do defensivo em citros.


?Indústria irresponsável?

O presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), Flávio Viegas, afirmou que a indústria de suco de laranja foi "irresponsável" ao não informar os produtores sobre a proibição. "Se essa proibição ocorre desde 2009, é muita irresponsabilidade não haver um alerta ao produtor para que uma solução fosse discutida", disse.

O Ministério da Agricultura não vai se pronunciar a respeito da informação de que os EUA aumentarão o número de testes que detectam o fungicida.