Paris - A crise europeia voltou ao centro das atenções ontem, depois de a agência Standard & Poor’s (S&P) rebaixar a nota da dívida da França, segunda maior economia da região, e de outros oito países da zona do euro.
França e Áustria perderam a classificação "AAA" (a mais alta possível), que foi reduzida para "AA+". Malta, Eslováquia e Eslovênia também tiveram suas notas diminuídas em um degrau.
Já Itália, Espanha, Portugal e Chipre perderam duas classificações.
A dívida portuguesa passou a ser considerada pela S&P investimento especulativo ("junk" em inglês). As agências Moody’s e Fitch já tinham atribuído essa classificação ao país em 2011.
"As iniciativas políticas tomadas pelos líderes europeus nas últimas semanas podem ser insuficientes para atacar o estresse sistêmico na zona do euro", afirmou a S&P.
Antes da divulgação do comunicado oficial da agência, o ministro das Finanças francês, François Baroin, já tinha se pronunciado sobre o rebaixamento: "Essa não é uma boa notícia".
Ele ressaltou, no entanto, que a nova nota da França é igual à dos EUA (que também perderam a classificação "AAA" no ano passado).
"Não é uma catástrofe", completou Baroin.
A decisão da S&P pode complicar a tentativa de reeleição do presidente francês a menos de cem dias do primeiro turno da votação.
Investidores já esperavam rebaixamentos das notas das dívidas dos países em situação fiscal mais frágil.
Em dezembro, a S&P havia anunciado que poderia reduzir a classificação de 15 dos 17 países do bloco.
Ontem, além dos rebaixamentos, a agência anunciou a manutenção da nota da Alemanha ("AAA") e de outros seis países da zona do euro.
Mas as perspectivas de 14 nações (incluindo França, Itália, Portugal e Espanha) foram consideradas negativas pela S&P.
Isso significa pelo menos 30% de risco de que esses países tenham suas notas rebaixadas em 2012 ou 2013.
A nota da dívida de um país ou uma empresa ("rating" em inglês) é uma avaliação da sua capacidade de honrar o pagamento de suas dívidas.
Embora a nova classificação da França ainda indique um risco baixo de calote, o rebaixamento em série anunciado ontem reforçou a percepção de que a crise europeia pode se agravar mais.
Segundo analistas, o rebaixamento da França e de outros países da região pode elevar os juros pedidos por investidores para emprestar recursos para o fundo europeu de resgate.
Isso complicaria a capacidade do fundo de ajudar os países mais vulneráveis.
Em meio à deterioração do cenário europeu, o euro cedeu para sua menor cotação em 17 meses (US$ 1,267).