A perspectiva de preços mais estáveis, consequência da crise externa, é outro componente adicional que deve garantir uma boa performance de vendas em 2012. Para a LCA, a inflação projetada para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), no grupo alimentação e bebidas, em 2012, é de 5%.
Como comparação, este indicador fechou 2011 em 6,5%, enquanto terminou 2010 em 10,4%. "Isso é um bom cenário para os supermercados. Além do aumento da distribuição de renda via salário mínimo, os preços dos alimentos devem subir menos", ressalta Romão.
Como o impacto positivo do salário mínimo estimula as vendas nas regiões que contam com este pagamento como referência de renda, como o Norte e o Nordeste, não é por acaso que as redes varejistas buscam ampliar seus investimentos nestas praças. O presidente do Pão de Açúcar, Enéas Pestana, diz que a varejista, dona das redes Extra e Assaí, quer avançar no Nordeste, por meio de hipermercados e supermercados.
Já o Walmart desde que adquiriu a rede Bompreço, em 2004, tem destinado boa parte de seus investimentos para o Nordeste. "O Brasil tem muitas áreas carentes de metro quadrado de varejo. O investimento se justifica porque o mercado interno pode sustentar esse crescimento", diz Honda, da Abras.
Ele observa que, além das grandes empresas, também há redes de supermercados com atuação regional, em alguns casos em mais de um Estado, que também crescem e planejam ampliar seus investimentos.
Particularmente em São Paulo, principal mercado consumidor do País, o setor prevê investir cerca de R$ 1 bilhão em 2012, montante 11% acima do ano passado, principalmente na expansão de lojas. Segundo o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), João Galassi, em termos de vendas, está projetado um crescimento nominal de, pelo menos, 10% em 2012.
Por parte da indústria, o gerente do departamento de economia da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia), Amilcar de Almeida, diz que o setor necessita investir anualmente ao menos o patamar de crescimento da produção.
Em 2011, a indústria deve encerrar o ano com crescimento ao redor de 5%, patamar próximo ao previsto também para 2012. "O varejo alimentício está otimista, o que deverá puxar a produção e o investimento", afirma.