Diz o ditado que, "de graça, até injeção na testa". Nem sempre. Muito associada a recém-nascidos e crianças, a vacinação também é assunto de gente grande.
Diferentemente do que pensam muitos adultos, que só procuram clínicas especializadas em imunização ou postos de saúde apenas antes de viajar, durante campanhas específicas ou em meio ao temor das epidemias "arrasa quarteirão" doses preventivas periódicas são necessárias por toda vida.
Entre as crianças, a importância da vacinação está plenamente inserida na rotina de pais e mães, observa o pediatra Renato Kfouri, presidente da Associação Brasileira de Imunizações (SBIm).
No entanto, quando chega a hora dos mesmos cuidarem de si, a mentalidade tende a ser outra, observa o especialista. "É extremamente necessário que a imunização continue a partir da infância, atingindo adolescentes, adultos e idosos", atenta.
Após a infância, caso esteja desguarnecido, o indivíduo adulto, além de ser afetado por algumas doenças, entre elas sarampo, meningite, rubéola ou coqueluche, que podem surgir a partir do amadurecimento, o mesmo ainda está vulnerável a efeitos potencializados destes problemas, observa o médico.
Diferente do sistema imunológico das crianças, as defesas no organismo adulto, precisam de reforço. "Quando adultos contraem algumas dessas enfermidades, os sintomas podem ser muito mais intensos e as sequelas costumam ser graves. Em alguns casos mais sérios, há risco de surgir inflamação cerebral, esterilidade, lesões neurológicas e pulmonares", alerta.
Outro agravante deste "relaxamento" por parte dos adultos quanto à prevenção é a falsa ideia de que, passado o período da infância, a próxima etapa de alerta quanto a problemas de saúde somente chega quando a pessoa se torna "de idade".
Uma recente pesquisa encomendada pela farmacêutica Pfizer aponta que a maioria dos adultos acredita que essa fase somente chega na terceira idade, na faixa dos 70 anos.
Além dos 25% que assinalaram essa casa etária como a hora de acender a luz amarela e reforçar a imunização, 29% dos entrevistados consideram que a fase de reforço vacinal ocorre a partir dos 60%.
Somente 11% das pessoas ouvidas acham que a preocupação em manter a caderneta de vacinação em dia para evitar problemas maiores na velhice deve acontecer antes mesmo dos 60 anos.
Por outro lado, na mesma pesquisa, a maioria dos entrevistados disse que não há época específica para se preocupar com problemas de saúde, que devem ser evitados a vida inteira.
O que parece uma contradição, pode ser explicado pela imunização parcial da população adulta, principalmente por quem busca doses imunizadoras referentes a doenças de localizações específicas, geralmente entre quem está de malas prontas para viajar.
Em Bauru, boa parte de quem procura clínicas especializadas particulares de vacinação recebe as doses com esse propósito, observa o infectologista bauruense Marcelo Pesce Gomes da Costa. Sócio-fundador da Sbin, o médico ressalva, entretanto, que esse contingente não é a maioria que, de acordo com ele, está preocupada em manter as defesas em dia contra variadas doenças.
"Não é porque a pessoa cresce que ela está mais protegida", esclarece. "As atualizações continuam necessárias", reforça. De acordo com Pesce, apesar de muitos se vacinarem para viajar ou após realizar algum tipo de exame, a maioria está esclarecia e busca imunização de forma espontânea.
?Vírus do mito? é adversário para
prevenção à saúde dos mais velhos
Proteção imunológica através de doses de vacina, não é de hoje, volta e meia é ligada a algumas teorias da conspiração. Quem não ouviu, principalmente entre as pessoas com mais idade, dizer que tal vacina não é bom tomar porque o "governo quer matar os velhos?"
Fosse assim, exemplifica o médico infectologista Marcelo Pesce, a campanha maciça de minimização dos efeitos do vírus H1N1, cuja pandemia em 2010 fez vítimas fatais inclusive em Bauru, teria efeitos cataclísmicos.
Responsável pela transmissão da gripe A, ou gripe suína, o vírus teve a proliferação atenuada pelas campanhas de vacinação ocorridas desde o ano retrasado. "Tanto é que, em 2011, apesar de ainda constatarmos vítimas também aqui na cidade, a população atingida foi muito menor", relaciona.
"Esse tipo de receio ainda é resquício de uma outra época", atribui o médico.
Apesar de desmistificar as fantasias populares sobre as vacinas, Pesce conta que, por maiores que sejam os devaneios, existe um pequeno fundo de verdade relacionado a problemas que ocorreram muito antigamente. "A vacina contra a varíola adoecia algumas pessoas. Eram minoria, mas acontecia. Por outro lado, apesar disso, muitas vidas foram salvas", pondera.
Sobre as lendas que rondam a vacina contra a gripe, contudo, o infectologista atesta que não há qualquer risco à saúde das pessoas imunizadas somente pelo fato de receberem a dose. "Não há qualquer tipo de risco", tranquiliza. "A vacina contra a gripe não é produzida por vírus vivos. Não há razão para qualquer receio", descarta.
Entre as vacinas mais procuradas na cidade, através de centros privados de imunização, figuram os compostos contra hepatite, gripe, catapora, HPV, meningite e preparados imunizantes para quem vai viajar, entre os principais, o preventivo à febre amarela, exigido por autoridades sanitárias de alguns destinos internacionais.