Uma confissão feita por uma ex-funcionária da casa de Sandro Luiz Fernandes, que seria a suposta quinta vítima de abuso sexual cometido pelo advogado de Bauru, pode gerar mudanças no processo criminal que tramita no Judiciário contra ele. Em uma ligação feita ao telefone de Sandro, gravada por ele através da webcam do computador, a diarista conta que teria recebido oferta de R$ 5 mil em dinheiro para que dissesse à Polícia Civil e ao Judiciário que também havia sido molestada pelo advogado.
A gravação foi fornecida ao JC através do advogado de defesa, Ricardo Ponzetto. A conversa, que durou quase 10 minutos, foi gravada por Sandro Fernandes no dia 7 de dezembro, através da webcam de um notebook. Na conversa, a diarista menciona que a oferta partiu de uma das pessoas que acusam Sandro de praticar estupro. As pessoas que constam como vítimas no episódio são familiares do advogado.
Alguns trechos da conversa são de difícil compreensão. Na parte audível, é possível constatar que a interlocutora, que telefonou a cobrar de um celular para o celular do advogado, tentou ocultar sua identidade.
Ao perceber que Sandro e sua esposa, Fernanda Fernandes, haviam reconhecido sua voz, ela acabou revelando que uma das quatro familiares que acusam Sandro de estupro teria lhe prometido R$ 5 mil em dinheiro em troca de um depoimento acusando o advogado do mesmo crime. "?Tô? esperando. Ela me ofereceu cinco mil reais, eu tô esperando e, até agora, nada", afirma.
Diante da suposta confissão, Fernandes sugere à interlocutora que assine uma declaração negando as denúncias anteriormente feitas e que entregue o documento à Polícia Civil para se preservar da acusação de falso testemunho, além de ajudar a provar a inocência dele e de sua esposa em relação a esta pessoa. "Não, mas eu não tenho advogado, eu não tenho ninguém. Eu tenho medo, né", afirma a mulher.
Num trecho da conversa, ao ser questionada por Sandro se acredita em Deus, a ex-funcionária demonstra arrependimento. "Eu acredito em Deus, porque eu não consigo dormir e hoje eu acordei pensando nisso e falei eu mesma: Hoje eu vou fazer o que é certo", diz. Em outro trecho, ela revela que foi orientada por uma das supostas vítimas sobre o que deveria dizer à polícia.
Apesar de garantir ao advogado que voltaria a telefonar para ele no mesmo dia, por volta das 22h15, ela não retornou. Orientado pelo seu advogado, Sandro não retornou o telefonema e nem tentou procurar a mulher após este diálogo. O Jornal da Cidade também tentou localizá-la através do número informado durante a conversa, mas não conseguiu.
Entrega da gravação
O advogado Ricardo Ponzetto declara que amanhã irá requerer a juntada ao processo do DVD com a íntegra da gravação da ligação. "Irei representar ao Ministério Público para que se apurem eventuais crimes de falso testemunho e denunciação caluniosa contra os meus clientes", anuncia.
Para Ponzetto, esta primeira gravação reforça a tese da defesa: "Desde o início deste processo nós já vínhamos apontando que os fatos alegados são uma armação. Nesta fase de apresentação de provas é que ficará cada vez mais evidente que Sandro Fernandes não praticou o que foi apontado contra ele", afirma.
Sandro e sua esposa Fernanda Fernandes tiveram a prisão preventiva decretada no dia 30 de setembro de 2011, após prestarem depoimento na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Na oportunidade, ele foi levado à Cadeia Pública de Barra Bonita e ela à Cadeia Pública de Avaí. No dia 21 de outubro, porém, ele foi transferido para a Penitenciária de Tremembé. O inquérito policial que culminou com a prisão do casal foi conduzido pela delegada Priscila Bianchini de Assunção Alferes, da DDM.
Uma liminar concedida no último dia 1 de dezembro pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o réu respondesse ao processo preso em Sala do Estado Maior. Como o espaço não é oferecido no País, ele obteve o direito de cumprir prisão domiciliar em sua residência. O benefício foi estendido à sua esposa Fernanda Fernandes, que é acusada de ter sido conivente com os supostos abusos sexuais praticados pelo marido contra quatro familiares.
A ex-funcionária da casa, que seria a quinta suposta vítima de Sandro, foi excluída do processo pela Justiça de Bauru no final do ano passado. Ela perdeu o prazo de seis meses, estipulado pela legislação, para representar contra o advogado.
Em virtude do horário em que a reportagem teve acesso à gravação, não foi possível entrar em contato com o advogado de defesa das vítimas.