08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Resgatando a história


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Em Bauru, uma história que marcou a cidade teve início exatamente numa terça-feira, em 27 de setembro de 1927, quando foi realizado o I Congresso Regional da Noroeste, cujo os fatos foram, em verdade, abençoados. Não nos enganamos quando confiamos na generosidade e no espírito ponderado e esclarecidos dos homens da Noroeste.

Eles, sim, naquela época compreenderam bem toda a grandeza da ideia empolgante, sentiram tudo quanto haveria de humano na defesa social e assistência aos leprosos da época, que vivam perambulando pelas ruas da cidade. Empolgou-se os aspectos cívicos tanto quanto o aspecto fraterno dessa iniciativa brilhante a que Rodrigo Romeiro, o ilustre juiz de direito de Bauru, principiou a dar realidade no dia em que o Apóstolo do Bem se pôs a catequizar, dedicar e fortalecer as vontades dos 64 municípios da região Noroeste do Estado, doando 10% dos impostos para a construção do antigo asilo.

Disse ele: Nós estamos construindo, em São Paulo, a mais alta e mais brilhante das civilizações, que não é americana nem é européia, porque é fundamentalmente brasileira. Uma civilização que tem da americana um ritmo ativo, audácia nos empreendimentos, a grandeza nas concepções. Da Europa, o doce e suave idealismo, o grande calor do coração. A Noroeste foi o maior exemplo, do mais alto e luminoso, desta grande civilização em marcha. A Noroeste que se fez nos anos de trabalho em Bauru, mais depressa do que cresceu a Califórnia e agora floresceu essa linda generosidade do Leprosário de Bauru. De São Paulo, há de extravasar ao Brasil inteiro e o Brasil será um dia grande, tão grande como anda o nosso sonho patriótico.

Deram-nos, na segunda Sessão do Congresso Bauruense, um voto de louvor pela campanha que aqui em Bauru foi realizada a favor do Leprosário Regional. Nós o agradecemos, principalmente ao senhor Domingos do Santos Abreu, da Câmara de Pirajuí, que foi o autor da ideia e guardaremos como estímulo forte para novas lutas e empreendimentos.

Assim surgiu a história do antigo Asilo-Colônia Aimorés, inaugurado em 13 de abril de 1933. Para completar a bela história, no dia 1 de agosto de 1976, exatamente 36 anos passados, o Jornal da Cidade publicou, em um documentário histórico, a seguinte manchete: "O Asilo-Colônia Aimorés Surgiu de uma Campanha na Impresa Bauruense, que através do "Diário da Noroeste", que tinha como diretor o jornalista Jorge de Castro e como gerente Mário Lopes, dava por encerrado, em 27 de setembro de 1927, o Congresso Regional da Noroeste, o primeiro projeto pioneiro no Brasil para a construção do antigo Asilo-Colônia, a última colônia a ser construída no Estado de São Paulo.

Era conhecido como a Cidade Jardim, um local para abrigar os portadores da antiga lepra da nossa região, com os brilhantes resultados da reunião no domingo, em 2 de outubro de 1927, o "Diário da Noroeste" publicou o notável discurso do ex-deputado Armando Prado. Passados 85 anos desta conquista estou recordando para que os falsos e (as) intelectuais que eu conheço possam valorizar ainda mais essa maravilhosa história, que a modernidade tenta apagar.

Ao completar, no próximo dia 4/2/ 2012, 36 anos de serviço como funcionário/servidor do atual Instituto "Lauro de Souza Lima", em Bauru, eu quero deixar a instituição com o mesmo amor e carinho que eu entrei. Com a decisão do sonho realizado: a preservação desta história, muito embora sem o reconhecimento por parte da atual direção.

Jaime Prado: Mtb: 038076 - Preservando a história do passado