08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Cumpra-se! Cumpra-se?


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Esperei algum tempo para manifestar a minha opinião, principalmente para evitar que ela ficasse integrante do burburinho normal que ocorre sempre que o assunto vem à baila. Estou falando sobre o nosso horário de verão, quando os nossos relógios são adiantados em uma hora, em boa parte do território nacional.

Em nome da economia de energia elétrica, somos obrigados a mudar o nosso cotidiano. E quando nos acostumamos a ele, vem nova alteração e voltamos ao horário normal. Findo o prazo, como acontece todos os anos, o governo federal virá a público dizer o quanto teria economizado em energia elétrica, evitando o excesso de consumo nos horários de pico ou preservando os nossos reservatórios hídricos. Informações que jamais serão contestadas, principalmente porque não temos meios para aferir a sua veracidade.

A implantação do horário de verão é uma conduta que precisa ser revista. Ela faz parte de uma série de decisões que são impostas à sociedade e nós, como simples cordeirinhos, as aceitamos como se a nossa opinião não fosse a mais importante. A decisão vem "de cima para baixo". E, apesar de não ser consultada a respeito, a sociedade aceita.

Isso ocorre em vários setores. Por exemplo, nas normas de trânsito: a obrigatoriedade dos estojos de primeiros socorros, a mudança nos modelos das placas dos veículos, o pagamento do seguro obrigatório quando temos seguro total no veículo; ou, de forma abrangente, decisões como a polêmica permissão para o casamento entre pessoas de mesmo sexo.

Sei que o assunto choca, mas vamos a ele. O que choca não é apenas a decisão em si. É a forma como ela nos é imposta. Em que pese o respeito que temos pelas nossas autoridades máximas do Judiciário, não acho justo que a sociedade não seja consultada sobre assuntos desse porte. O que defendemos é a realização de plebiscitos, de modo que o povo decida se deseja o horário de verão, o casamento de pessoas do mesmo sexo, a obrigatoriedade disso ou daquilo.

Somente assim, com a consulta popular - em que pesem os argumentos do custo que isso representa -, teremos condições de aceitar ou recusar determinadas decisões que são despejadas nas costas da sociedade. E, mais que isso: acabar de uma vez com toda essa prática, mostrando que, de fato, todo o poder emana do povo.

Vitor Sapienza