08 de julho de 2026
Internacional

Empresa admite erro de comandante


| Tempo de leitura: 4 min

Giglio - O capitão do navio Costa Concordia que naufragou na noite de sexta-feira, Francesco Schettino, está detido e será investigado por negligência e abandono da embarcação. Ele deve prestar depoimento esta semana. Pela lei italiana de navegação, o capitão que abandona sua embarcação em perigo pode ser condenado a até 12 anos de prisão.

A Costa Cruzeiros, proprietária do navio, atribuiu ontem "erros de avaliação" ao comandante - sexta-feira, nota da empresa defendera sua atuação.

"O capitão estava em um bote salva-vidas, coberto por uma manta, muito antes de todos os passageiros saírem do navio", afirmou o casal francês Ophelie Gondelle e David Du Pays.

Uma empresa holandesa foi chamada para retirar o combustível dos tanques do navio para evitar vazamentos.

 

Erro humano

O ministro italiano da Defesa, Giampaolo Di Paola, declarou ontem, em entrevista à emissora de TV Rai Tre, que o naufrágio do navio Costa Concordia foi "um enorme erro humano que teve consequências dramáticas, infelizmente".

"Navios daquela dimensão não podem passar perto de uma costa que se sabe ser rasa", afirmou, acrescentando que espera que o número de mortes não aumente. "Estão em curso inspeções na parte emersa, pode haver outros passageiros presos", disse o ministro.

Por sua vez, o procurador-chefe de Grosseto, Francesco Verusio, reiterou que "a caixa-preta vai nos dizer sobre as manobras que foram feitas pelo navio antes do acidente e imediatamente após" e o resultado de sua análise deve ficar pronto em "poucos dias".

A empresa Costa Cruzeiros, dona do navio Costa Concordia, informou que a embarcação colidiu com uma rocha. Inicialmente foi divulgado que o navio encalhou em um banco de areia, o que levou à abertura de uma rachadura e fez com que a embarcação começasse a inclinar.

 

Passageiros dizem não ter visto comandante

Giglio - Jorge Iñiguez e Olga Velarde, os dois únicos passageiros mexicanos do navio Costa Concordia afirmaram que "nunca se soube, nem se viu o comandante" da embarcação, Francesco Schettino, que "não falou com os passageiros".

A declaração do casal, que estava em lua de mel pela Europa, foi dada à agência estatal mexicana Notimex do hotel em Roma para onde foi levado junto com outros passageiros. Eles afirmaram que esperaram pelo menos duas horas em uma fila de 150 pessoas para subir em um bote salva-vidas. "Tinha um cozinheiro filipino, que não falava inglês nem espanhol, que não deixava ninguém subir (nos botes) e ameaçava bater nos passageiros que tentavam", disseram.

O casal também disse que "no final nos demos conta de que a tripulação não sabia nem sequer usar o rádio para se comunicar" e que o guia do bote "quase nos arremessou contra o navio, motivo pelo qual um passageiro teve que tomar o comando e levar a lancha para a terra".

"Nós nos sentíamos confusos, fazia muito frio e saímos sem sequer poder agarrar uma jaqueta, nem passaporte, nem dinheiro, nem nada", concluiu Iñiguez, que acrescentou ter visto o corpo de uma mulher ser transportado.

Segundo o jornal italiano "La Republica", a guarda costeira italiana pediu diversas vezes que o comandante Schettino retorna-se ao navio para coordenar os procedimentos de evacuação, lembrando-o da gravidade de seu comportamento ao deixar a embarcação quando ainda havia muitas pessoas a bordo.

 

Vítimas e sobreviventes

 Giglio - A Guarda Costeira italiana encontrou ontem dois corpos na parte submersa do navio, elevando para cinco o número de mortos no acidente. As vítimas são o espanhol Guillermo Gual, 68 anos, e o italiano Giovanni Masia, 86 anos, segundo a unidade de crise da Guarda Costeira.

Gual fazia parte de um grupo de nove espanhóis, quase todos seus familiares, procedente de Palma de Mallorca. O grupo perdeu o idoso de vista quando tentavam escapar do cruzeiro em que viajavam 4.229 pessoas.

De acordo com o comandante da Guarda Costeira, Cosimo Nicastro, os dois foram localizados no ponto de encontro próximo ao restaurante onde os passageiros jantavam no momento do choque do Costa Concordia com uma rocha, perto da ilha de Giglio. Ambos foram encontrados vestindo colete salva-vidas.

Nas buscas, três pessoas foram localizadas com vida dentro da embarcação. Ontem, o tripulante italiano Manrico Giampedroni, 57 anos, que estava com uma das pernas quebradas, foi resgatado por um helicóptero.

Na noite de ontem, os sul-coreanos Hye Jim Jeong e Kideok Han, ambos de 29 anos - em viagem de lua de mel -, foram encontrados trancados na cabine que ocupavam, no oitavo andar.

Um casal de japoneses, que estava na lista de desaparecidos, apresentou-se ontem em Roma. Eles disseram que, depois de chegar ao porto de Santo Stefano, encontraram dois amigos japoneses e seguiram para Roma.

Quinze passageiros ainda não foram localizados. A probabilidade de encontrá-los com vida é cada vez menor.