Assim que o período de chuvas tem início, um velho problema volta a atormentar os motoristas: as panes nos semáforos. Segundo estatísticas da Empresa Municipal do Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), o número de ocorrências desta natureza chega a dobrar durante o verão em comparação aos meses de tempo seco.
Nesta época mais chuvosa, a média chega a 25 registros de problemas por mês. Embora o número seja baixo, vale ressaltar que, em alguns casos, uma mesma pane pode comprometer os semáforos de uma avenida inteira, como a Rodrigues Alves, o que, por si só, já representa um grande transtorno para o tráfego.
Segundo a engenheira Nádia Bazzo Francisco, do setor de Operações Viárias da Emdurb, a grande maioria das ocorrências é provocada por interrupções no fornecimento de energia. Entretanto, até mesmo meras oscilações na rede elétrica podem queimar os componentes ou alterar a programação do semáforo, o que faz com que o equipamento entre em modo ?piscante?, tecnicamente chamado de amarelo intermitente.
"Ele também pode deixar todo o cruzamento parado no vermelho ou ficar abrindo e fechando em intervalos menores que o normal. Mas não há possibilidade de ficarem todos verdes. Há uma trava que não permite que isso ocorra", explica.
Em menor proporção, as falhas nos equipamentos também podem ser causadas por caminhões com carroceria muito alta ou temporais que acabam rompendo o cabeamento aéreo. Já a infiltração de umidade em cabos subterrâneos mal conservados representa uma parcela mínima dos prejuízos, conforme destaca o eletricista Adriano Cardoso, um dos sete funcionários da Emdurb que trabalham diretamente com a manutenção dos semáforos.
"O problema maior é com a chuva que derruba a energia ou com raio. Às vezes, uma mesma descarga elétrica queima vários controladores (dispositivos que coordenam a programação dos semáforos)", diz.
Sincronismo
De acordo com Nádia, atualmente existem 149 cruzamentos semaforizados em toda a cidade (150 a partir de domingo). Os pontos que apresentam intercorrências com maior frequência são a avenida Duque de Caxias e as ruas 15 de Novembro e Cussy Junior.
"Quanto mais semáforos houver numa mesma via, maior a probabilidade de haver problemas", destaca. Mas a pane de um único controlador pode parar metade de uma avenida, como é o caso do dispositivo-mestre localizado entre a Rodrigues Alves e a rua 13 de Maio.
O eletricista da Emdurb, Oswaldo Marabeis, explica que o conserto de um defeito no equipamento pode levar de segundos a cerca de dez minutos, dependendo da complexidade do caso. A troca de uma lâmpada queimada, por exemplo, é executada rapidamente.
"Já em caso de pane, há necessidade de mexer no controlador e trocar alguma peça, o que é mais demorado. Mas o tempo maior é até a gente conseguir chegar ao local, principalmente quando o trânsito já está complicado", frisa.
Mesmo depois da manutenção, os semáforos podem demorar algum tempo até voltarem a funcionar normalmente, já que dependem da sincronização dos controladores (que ficam dentro de caixas pretas afixadas em postes), que podem ficar "perdidos" quando algum problema acontece.
"Quando ocorre uma queda de energia, por exemplo, leva um tempo até a programação destes controladores entrar em sincronismo. Agora, quando ocorre uma descarga elétrica, eles podem queimar e, assim como qualquer aparelho eletrônico da casa da gente, precisa ser levado para conserto", explica Nádia.
Pane em avenidas trava o trânsito
Quando uma pane atinge vários semáforos de artérias como as avenidas Rodrigues Alves ou Duque de Caxias, o transtorno recai sobre os motoristas que trafegam pelas ruas transversais e não têm preferência para passagem. Sem o disciplinamento dos sinalizadores eletrônicos, o trânsito nestas vias secundárias costuma ficar totalmente parado.
A desagradável experiência já foi vivida diversas vezes pelo taxista Antonio Freitas de Almeida, 53 anos, sendo a última delas no final do ano passado, dias antes do Natal. "Os carros e motos que estão na avenida têm a preferencial e não são compreensivos a ponto de parar para deixar os demais passarem. Quem está nas transversais passa aperto. Não há o que fazer, além de esperar o semáforo normalizar", comenta.
Do alto de seus 34 de profissão, o taxista corrobora as estatísticas da Empresa Municipal do Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e aponta que a incidência de panes é muito maior durante o período de chuvas. "O problema é mais comum na avenida Duque de Caxias e rua Araújo Leite. Em horário de pico, o trânsito fica mais caótico do que já é", aponta.
O operador de máquinas Antonio do Carmo Junior, 29 anos, conta que consegue sair rapidamente dos pontos de engarrafamento quando ocorrem panes porque, geralmente, se desloca de moto em Bauru. "Mas, quando estou de carro, fica complicado. Pelo menos, o transtorno dura poucos minutos, porque o pessoal da Emdurb costuma aparecer rápido para consertar", elogia.
Estudo
A Empresa Municipal do Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) estuda possibilidades para reduzir a incidência de panes em semáforos por falta de energia. Uma delas seria a instalação de nobreaks, que seriam nada mais do que acoplar baterias de moto aos controladores.
"A partir de uma queda de energia, as baterias seriam acionadas automaticamente para manter em funcionamento os semáforos com lâmpadas de LED (diodo emissor de luz, em inglês), que são de 12 volts. Mas este é apenas um projeto", afirma a engenheira Nádia Bazzo Francisco, do setor de Operações Viárias da Emdurb.
A substituição das lâmpadas incandescentes tradicionais por modelos de LED, que beneficiará as avenidas Rodrigues Alves e Duque de Caxias, neste ano, também deve colaborar para minimizar os prejuízos, já que os novos dispositivos seriam mais resistentes às oscilações de energia. "Eles também duram mais e problemas por queima serão reduzidos", afirma Nádia.
Com mais semáforos, tendência
é que os problemas aumentem
Embora as lâmpadas de LED sejam mais resistentes, o simples fato de Bauru passar a contar com um maior número de semáforos deve fazer com que a cidade sofra mais com a incidência de panes. Em entrevista recente ao JC, o diretor de sistema viário e transportes da Empresa Municipal do Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Ewerton Mussi Hunzicker, informou que, em 2012, ao menos 12 novos cruzamentos serão sinalizados eletronicamente.
"Neste ano, colocaremos, por exemplo, mais três semáforos na rua Capitão Gomes Duarte, onde os carros ainda encontram dificuldades para transpor alguns cruzamentos. Esta via forma um binário com a rua Joaquim da Silva Martha e a ideia é que funcione como rota alternativa à avenida Duque de Caxias", pontua.
No ano passado, 14 novos cruzamentos foram dotados de semáforos em Bauru. Ainda em 2012, há previsão de substituição de 30 conjuntos antigos por lâmpadas de LED. "A partir de março, pretendemos trocar cinco grupos focais por mês e a prioridade será dada às avenidas Rodrigues Alves e Duque de Caxias, onde a visibilidade fica mais prejudicada ao nascer e pôr-do-sol", detalha.