10 de julho de 2026
Internacional

Capitão que mandou o comandante voltar vira herói na Itália


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Milão - Seu nome - e suas frases - estão estampadas nas redes sociais, nos jornais em todo o mundo, em camisetas. Aos 46 anos, o comandante Gregorio de Falco, da Capitania dos Portos, virou um herói ao falar grosso com o capitão Francesco Schettino depois de descobrir que este abandonara o navio pelo qual era responsável.

Depois que a gravação da conversa entre os dois foi divulgada na imprensa italiana, De Falco, que trabalha desde 2005 na sala de emergência do porto de Livorno, cidade com cerca de 160 mil habitantes, ganhou fãs em todo o país. "Ele ficou chocado ao ouvir a voz dele na televisão e continua dizendo que está espantado com essa reação", disse Andrea Gori, porta-voz do porto. Segundo Gori, ele acredita ter feito "o que qualquer guarda costeiro teria feito".

A mulher de De Falco, Raffaella, foi além do espanto e criticou a transformação do marido em celebridade. "É preocupante que pessoas como meu marido, que simplesmente fazem o seu dever todos os dias, se tornem imediatamente ídolos, personalidades, heróis neste país. Não é normal", disse ao jornal italiano "Corriere della Sera".

Ao entrar em contato com Schettino enquanto ainda havia pessoas a bordo, De Falco mandou o capitão de volta para ajudar os passageiros. Diante da recusa do comandante em obedecer, ele estourou: "Volte a bordo, c......!". A frase foi parar em camisetas, que já circulavam ontem por cidades italianas. Na conversa, De Falco disse que faria Schettino "pagar" por ter abandonado seu posto. Descrito como um profissional "humano" por colegas, De Falco confessou ao "La Repubblica" ter chorado quando soube que pessoas morreram tentando nadar até a costa. "Chorar não é fraqueza, é humanidade", disse.

 

Schettino volta a negar abandono

 Milão - À medida que avançam as investigações sobre a responsabilidade do capitão no acidente com o navio Costa Concordia e o abandono do navio, a situação do comandante italiano Francesco Schettino só se complica.

Onten, a imprensa italiana divulgou que o capitão alegou, durante sessão no dia anterior com magistrados, ter "escorregado e caído" em um bote salva-vidas. Segundo Schettino, ele estava tentando fazer com que os passageiros entrassem nos botes de forma ordenada. "De repente, como o navio estava a uma inclinação entre 60 e 70 graus, eu escorreguei e parei em um dos botes", disse. O jornal "La Repubblica" disse que, com Schettino, abandonaram o navio o segundo responsável , o grego Dimitri Christidis, e Silvia Coronica, a terceira no comando.

Sobre a manobra que fez com que o navio colidisse com rochas na última sexta-feira, o capitão disse que foi "vítima dos próprios instintos". Ele afirmou que queria dar um "oi" a um velho amigo, o ex-capitão Mario Palombo, que vive na ilha de Giglio. "O trajeto foi decidido assim que deixamos Civitavecchia mas cometi um erro na aproximação. Ordenei a manobra muito tarde e acabei em uma parte muito rasa." No entanto, um dos funcionários do navio acusou Schettino de conduzir de forma imprudente.

O capitão está em prisão domiciliar, perto de Sorrento. Contudo, o procurador Francesco Verusio disse que irá recorrer da decisão, considerando a possibilidade de fuga. Foram encontrados corpos de 11 pessoas mortas e o número de desaparecidos continua incerto.

 

Navio inclina mais e buscas param

 Giglio - Mergulhadores italianos suspenderam ontem as buscas por desaparecidos no navio Costa Concordia após o casco mudar de posição sobre a rocha onde se encontra assentado, perto da ilha de Giglio.

O porta-voz da equipe dos bombeiros, Luca Cari, disse que as buscas foram interrompidas, depois do registro de uma movimentação de alguns centímetros, o que, segundo ele, representava um perigo para os mergulhadores que vasculhavam os espaços submersos do navio.

Não há estimativas de quando o trabalho poderá ser retomado.