11 de julho de 2026
Esportes

Noroeste: Guerreiro do ?passe-livre? visita Bauru


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Quando o assunto é futebol, é possível dizer que se o esporte mais apreciado no mundo teve seu "Che Guevara", esse foi Afonsinho. Carismático futebolista dos anos 60 e 70, engajado, sempre de esquerda, considerado rebelde em tempos onde o País lutava por liberdade, o ex-jogador de Botafogo e Santos esteve ontem em Bauru e não deixou passar a oportunidade de visitar o Noroeste.

Afonso Celso Garcia Reis, conhecido como Afonsinho, que atuou em grandes clubes nos anos 1960 e 1970, esteve ontem nas dependência do Estádio Alfredo de Castilho. Hoje com 64 anos, Afonsinho é lembrado pelo momento mais marcante da carreira, quando lutou pelo "passe livre", entre 1969 e 1970. Ele foi o primeiro a lutar em uma batalha pela qual pagou um preço alto, mas que, como ele mesmo costuma dizer, "valeu a pena".

Afonsinho ficou famoso por ser o primeiro futebolista a se rebelar contra a situação do atleta na época em que atuava, considerado, em suas próprias palavras, um "escravo dos dirigentes e empresários" por não ser dono do próprio passe.

Nascido em São Paulo e criado em Marília, Afonsinho reside atualmente no Rio de Janeiro. Na adolescência, mudou-se com a família para Jaú, onde começou a carreira, no XV de Novembro, em 1963.

Atuando como meia direita, Afonsinho saiu do XV e foi para o Botafogo do Rio de Janeiro, onde jogou por cinco anos na Estrela Solitária. "Minha imagem ficou muito relacionada ao Botafogo, pois foi o clube onde fiquei por mais tempo. Era uma época muito boa da equipe, o time estava bem, conquistou títulos importantes, foi um período marcante realmente", explica.

Depois do Botafogo, Afonsinho foi para o Olaria, onde viveu um dos momentos que o marcaram no futebol: a luta pelo direito ao "passe livre". "Quando saí do Botafogo e fui para o Olaria, lutei para que os atletas tivessem direito ao passe livre, para que não ficassem amarrados aos clubes como era antigamente. Foi difícil, mas depois esse direito foi reconhecido e hoje existem leis que garantem isso aos atletas", pontua.

Após a passagem pelo Olaria, Afonsinho ainda defendeu clubes como Vasco da Gama e Santos, onde teve a oportunidade de atuar ao lado de Pelé, no ano de 1972. Encerrou a carreira em 1982. Afonsinho se formou em Medicina em 1975, quando ainda era atleta. Após encerrar a carreira nos gramados, ele passou a exercer a profissão de médico, e continuou também atuando no futebol, desta vez mais dedicado a escolinhas e projetos sociais.

Em sua curta passagem, Afonsinho agradeceu a oportunidade de conhecer o clube. "Estava hoje em Bauru e pude rever o clube. Me lembro de ter vindo no Estádio Alfredo de Castilho na década de 60, e hoje a estrutura do Noroeste está muito melhor, o clube está bem cuidado. Desejo sucesso ao Noroeste e que a equipe possa fazer uma boa temporada agora em 2012".


História retratada

No ano de 1974 o cineasta Oswaldo Caldeira lançou um documentário intitulado "Passe Livre", um longa metragem baseado na vida de Afonsinho. O longa retrata a história do jogador que chegou a ser proibido de jogar futebol por deixar crescer a barba. A proibição, em tempos de Ditadura Militar, motivou Afonsinho, então um dos postulantes à Seleção Brasileira, a iniciar uma batalha jurídica e política. A vitória inédita lhe garantiu a propriedade de seu próprio passe, ou seja, o passe livre.

O filme mostra toda essa realidade de uma época que tinha como bordão a frase: "Onde a Arena vai mal, põe um time no campeonato nacional. Onde a Arena vai bem, põe um time também", e traz ainda depoimentos de jogadores, técnicos e comentaristas de renome, como João Saldanha, Jairzinho, e Amarildo.