Se você planeja ir à feira neste final de semana ou repor legumes e verduras no seu supermercado de preferência, fique atento: os preços desses alimentos já estão mais caros e especialistas alertam que, dependendo da instabilidade do tempo nos próximos meses, é possível que o consumidor pague ainda mais caro pelas hortaliças devido às chuvas.
"De fato, há majoração acompanhada de tendência de aumento também para os próximos dias", informa o técnico operacional agrícola do Ceasa/Ceagesp, Augusto Remoli Filho. Ou seja: o que já ficou "salgado" no bolso do consumidor, ainda deve piorar. "O vilão é o tempo de chuva, que afeta quantidade e qualidade dos produtos", completa.
"Eu faço compra de hortifruti toda semana e já deu para perceber a variação de preços em alguns produtos. Enquanto no tomate, por exemplo, ou em outros produtos que ?sofrem? mais com o clima já deu para sentir um aumento, em outros vegetais, como o alho, o preço praticado está abaixo do que pagávamos tempos atrás", relata o funcionário público Marco Aurélio Geraldino, 48 anos.
Essa variação de preços alertada pelo Ceasa e confirmada na prática por Marco Aurélio também se deve ao fato de não ser possível fazer estoques de produtos perecíveis, explica o gestor de compras de uma rede de supermercados, Alexandre Fátimo dos Santos.
"Os legumes como chuchu, vagem, abobrinha, tomate e beterraba realmente sofreram um aumento, mas não chega ao patamar das hortaliças, como alface, rúcula (e outras folhas) que têm uma durabilidade menor", salienta Alexandre. "Nós já recebemos produtos com aumento de preços e, pela experiência de anos anteriores, as chuvas devem continuar e os preços podem subir mais um pouco. Nossa expectativa é que a produção se estabilize no fim de fevereiro e os preços voltem a cair no final de março", prevê.
Pode parecer clichê, mas uma das melhores soluções para quem não quiser pagar mais caro na hora de repor estes produtos é cotar e comparar os preços em diferentes mercados. O funcionário público Nilson Moreles, 55 anos, lamenta o aumento "repentino" nos preços, mas concorda com a solução.
"O jeito é não ter preguiça de comparar os preços e aproveitar o que está mais em conta nos diversos mercados da cidade", sugere. "Falo isso com propriedade porque sou eu que costumo fazer esse levantamento antes de vir ao mercado com minha esposa e acaba funcionando", garante.
Outra boa alternativa é substituir o que estiver muito caro por similares, aponta o mecânico de aeronaves, Pedro Ademir Ribeiro, 49 anos. "Por exemplo, o repolho está mais barato e a alface está mais cara. Então, nessa época compramos mais repolhos. Já a batata, se necessário, pode ser trocada por uma mandioquinha ou pela batata-doce. Enfim, vamos fazendo esses encaixes para economizar um pouco de dinheiro."
Frutas estão mais acessívei
Apesar da alta sensível de alguns alimentos (veja quadro), nem todos os tipos de cultivos são afetados negativamente nessa época do ano.
De forma geral, por serem mais resistentes, as frutas não sofrem tanto o impacto da estação chuvosa. O limão, por exemplo, é um dos itens mais em conta, atualmente, e pode ficar ainda mais acessível, já que nessa semana seu preço sofreu uma redução de aproximadamente 70% no Ceasa.
"Isso também é uma característica dessa época do ano. O limão está na safra e as chuvas só interferem no tipo de colheita", explica Alexandre. "Outro exemplo de fruta que passa pelo mesmo efeito na nossa região é o abacaxi havaí", finaliza.
Feiras livres podem ser alternativas ao consumo
Em Bauru, uma forma ainda bastante tradicional de comprar frutas, legumes e verduras são as feiras livres. "Em termos de verduras, alguns produtores usam estufas. Então, não há uma perda tão grande por conta de intempéries e é possível manter um preço bom nas feiras", ressalta o presidente da Associação dos Feirantes de Bauru (AFB), Moisés Bastos.
O funcionário público Marco Aurélio Geraldino, 48 anos, que relatou à reportagem já ter sentido os aumentos de preço das frutas e verduras endossa a posição de Bastos. "As feiras são um espaço interessante também porque, para alguns produtos, nos colocam em contato direto com o produtor e sem intermediadores, o preço do produto deve ser menor", diz.