07 de julho de 2026
Geral

Piratininga é morada de "bauruenses"

Luiz Beltramim
| Tempo de leitura: 4 min

A confiabilidade da fonte não é total (no caso, a mais acessada enciclopédia virtual com oportunidade de qualquer pessoa escrever na mesma). A ferramenta em questão "informa" que Bauru e Piratininga já formariam uma conurbação. É claro que, para qualquer morador das duas cidades, que ao menos uma vez rodou pela SP-225 (Bauru-Ipaussu) ou Bauru-Piratininga a junção urbana dos dois municípios ainda é ficção.

Contudo, não é exagero afirmar que as cidades, apesar da desproporcionalidade no número de habitantes (Bauru tem pouco mais de 340 mil, enquanto que Piratininga pouco passa dos 12 mil moradores, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/IBGE), já "dividem" uma mesma parcela populacional, com "dupla municipalidade".

Oficialmente moradoras de Piratininga, essas pessoas, entretanto, passam a maior parte do dia, quando não permanecem durante todo o horário comercial, no lado norte do rio Batalha e retornam para a cidade menor apenas à noite, para descansar em casa ao lado da família.

É gente que decidiu desfrutar do sossego de uma cidade bem menor que Bauru (com a qual ainda não está conurbada, ao contrário do que a Internet "desinforma"), mas não deixou a rotina profissional ou escolar para trás.

Diariamente, o construtor Alberto Augusto Dias precisa de 15 minutos para percorrer a distância entre a porta de casa e do escritório, localizado no Jardim Contorno. Há dois anos, ele, a esposa Andréa e os filhos Felipe e Pedro vivem no condomínio Primavera, na vizinha Piratininga.

"O mesmo tempo que levava para sair de casa para a escola do meu filho, por exemplo, na época em que morava no Marambá (Bauru) levo agora morando em outra cidade", argumenta ele. "O trânsito da Duque de Caxias em horário de pico me demandava esse tempo, mesmo estando mais próximo", compara.

Além de morador com essa nova realidade, Dias também trabalha em cima do que, segundo ele, é uma tendência: residenciais e loteamentos "saindo" de Bauru rumo ao outro lado do rio Batalha. "Construo várias casas em Piratininga, onde a conclusão de projetos é mais rápida", considera.

Segundo ele, além da menor burocracia, o custo não se compara ao investimento, tanto por parte de empreendedores, quanto de quem pretende viver na cidade vizinha. "O custo benefício é outro. Enquanto que um lote de 15 m x 40 m, em Piratininga, está na faixa de R$ 80 mil, em Bauru uma área de 12 m x 30 m está na faixa de R$ 250 mil", calcula.


"Eu quero sossego"

Quem também pretende seguir os mesmos passos é a funcionária pública estadual Ione Costa. Vinda de São Paulo para Bauru há cinco anos, ela se diz cansada dos transtornos que a, segundo ela, "minimetrópole" bauruense concentra de alguns anos para cá. "Estamos vivendo um problema grande de adensamento urbano", observa.

Congestionamentos na porta de condomínios, barulho de bares em áreas estritamente residenciais e insegurança, causada entre outros fatores também pelos recentes casos de assaltos e sequestros relâmpago em semáforos, são alguns dos dissabores urbanos dos quais ela pretende se livrar, no máximo, em um ano e meio.

Em fase final de negociação para adquirir um terreno em condomínio de Piratininga, ela pretende construir uma casa na cidade vizinha de Bauru, aonde vive atualmente em apartamento. "Saí de São Paulo atrás de tranquilidade a qual não possuo mais", lamenta. "Bauru tem todos os benefícios de uma cidade grande. Mas começa a ter seus problemas também, entre eles resultantes do grande adensamento urbano", considera. "Vou para Piratininga agora. Mas, do jeito que estão as coisas, só vou ter sossego se for para a Amazônia no futuro", ironiza.


Migração imobiliária?

Alguns empresários do setor imobiliário em Bauru alegam que a burocracia teria aumentado muito nos últimos anos, de carona com os custos para o lançamento de novos projetos do ramo na cidade. "A terra é mais barata e a aprovação (do projeto) é mais rápida", defende Achilles dos Reis Júnior, empresário do ramo.

Segundo ele, enquanto que em Bauru se comercializa lotes, na área estimada de 400 metros quadrados, entre R$ 90 mil e R$ 250 mil, a cidade vizinha concentra terrenos orçados entre R$ 60 a 70 mil.

Outro fator que atrai o lançamento de novos empreendimentos do gênero em Piratininga, frisa o também empresário do ramo, João Assaf, é a questão burocrática. "O que mais emperra é a questão ambiental. É um dos grandes entraves", atribui. "Em Bauru está cada vez mais difícil (lançar novos empreendimentos). A burocracia é cada vez maior entre órgãos e certidões", reclama, citando também custos maiores com a própria construção e terreno. "De uns dez anos para cá triplicou o prazo de aprovação", contabiliza.

Segundo ele, o tempo médio de espera para a aprovação de um empreendimento é de um ano em Bauru. Na cidade vizinha, compara, o mesmo processo duraria entre três a quatro meses.

Contudo, o tempo no trâmite de certidões e aprovações é relativo, pondera o também empresário imobiliário José Cláudio Munhoz Vaqueiro, que possui projetos que aguardam chancela governamental para serem colocados no mercado também em Piratininga. "Tenho projeto que aguarda há mais de um ano e meio. É coisa de prefeitura, tanto em Bauru quanto em Piratininga. Algo normal", resigna-se. Os representantes do setor imobiliário também reclamam de dificuldades quanto à infraestrutura. Um dos problemas mais citados foi quanto ao fornecimento de água.